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[Top 5] Octopusgarden, Gerson Lodi-Ribeiro

Seguem abaixo minhas cinco fontes de inspiração principais para a concretização do romance Octopusgarden (Draco, 2017), em ordem crescente de importância:

Top Five!

Em primeiro lugar, por ser a fonte de inspiração mais abrangente e mais geral: a leitura em meados da década de 1980 de “The Nonprevalence of Humanoids”, artigo clássico escrito pelo influente paleontólogo George Gaylord Simpson, publicado em fevereiro de 1964 na revista Science.

A leitura desse artigo transformou a forte suspeita que eu nutria desde sempre numa convicção arraigada: não obstante a postura hollywoodiana ingênua, baseada em questões essencialmente orçamentárias, é extremamente provável que a maior parte das espécies alienígenas inteligentes seja constituída por não humanoides.

Desde a leitura desse artigo científico, a maioria dos alienígenas que propus em minhas narrativas ficcionais é não humanoide.

Top Four!

Outra influência abrangente foi a minha paixão pelos estudos sobre a possibilidade da existência de vida fora da Terra em geral e pelo esforço SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence – Busca por Inteligência Extraterrestre) em particular.  Uma paixão que eu já nutria desde criança e que cresceu bastante durante as leituras que comecei a consumir na minha graduação em Astronomia, com destaque especial para a Questão de Fermi, ou, como alguns preferem, o Paradoxo de Fermi, sobre o qual muito já se escreveu a respeito e que costuma ser resumido na indagação: “Se há tantas civilizações alienígenas lá fora, por que não encontramos sinais da presença de uma delas?”  As diversas tentativas de responder essa questão foram coligidas por Stephen Webb em Where is Everybody? – Seventy-Five Solutions to the Fermi Paradox (Springer-Verlag, 2015).

Top Three!

Meu primeiro insight sobre relações íntimas entre humanos e golfinhos se deu em 1976 com a leitura do conto “Ishmael Apaixonado” (1970) do Robert Silverberg, publicado em português na coletânea do autor, Outros Tempos, Outros Mundos (Cultrix, 1972).  A narrativa da tentativa de concretizar o amor platônico por uma humana é apresentada pelo próprio golfinho protagonista.

Top Two!

Atribuo a motivação inicial para escrever o romance Octopusgarden aos The Beatles em geral e à canção “Octopus Garden” do Ringo Starr em particular.

Quando Rubenildo Python de Barros me convidou para participar de uma antologia que ele estava organizando em 1988, cuja proposta era reunir contos de ficção científica ou fantasia baseados ou inspirados em músicas dos The Beatles, percebi que era a oportunidade ideal para criar minha própria narrativa delfínica.  Daí, resolvi escrever algo em torno de uma de minhas canções favoritas do conjunto, “Octopus’s Garden”, composta pelo Ringo.

Top One!

Enfim, a influência principal para escrever a narrativa que acabou se transformando no Octopusgarden foi a leitura do romance Startide Rising, do David Brin.

Em 1983, David Brin publicava Startide Rising, segundo romance da trilogia Uplift Storm, ambientada em seu universo ficcional EarthClan.  Essa narrativa original, criativa e intrigante abiscoitou merecidamente os prêmios Hugo e Nebula daquele ano.  A trama gira em torno dos percalços dos tripulantes da nave estelar Streaker (em sua maioria, golfinhos elevados à racionalidade por nossa espécie), enfrentando a fúria de civilizações alienígenas hostis por conta da arrogância suprema de haverem descoberto, já em sua viagem inaugural, os destroços de uma frota dos Progenitores, espécie mítica que, segundo a Biblioteca Galáctica, teria sido a primeira a galgar a autoconsciência sozinha e também aquela teria instituído as tradições de elevação de espécies à racionalidade.  Neste U.F., os humanos são considerados uma espécie de párias galácticos, pelo fato de alegarem terem evoluído espontaneamente, numa tentativa vã e patética de se ombrearem aos Progenitores.

Li Startide Rising pela primeira vez de uma tacada só em fins de setembro de 1986.  Amor à primeira leitura: de pronto me apaixonei pela ideia de golfinhos elevados à racionalidade.  Daí, tornou-se uma questão de honra: cedo ou tarde, eu deveria escrever minha própria narrativa de golfinhos inteligentes.  Porém, se um dia eu ousasse fazê-lo, pretendia mostrar golfinhos que realmente de comportassem como cetáceos, mas que também fossem bravos, corajosos e voluntariosos, e, sobretudo, que não parecessem tão dependentes da humanidade quanto os golfinhos postulados por David Brin no romance citado.

*     *     *

Dessas fontes de inspiração, nasceu a noveleta “Octopusgarden”, que mais tarde se transformou no romance homônimo.

Para aqueles interessados num relato um pouco mais detalhado da gênese do Octopusgarden, basta clicar no link abaixo:

Gerson Lodi-Ribeiro,

Abril de 2018.

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