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Como escrevi “Katyusha”, por Isa Prospero

Quando li o edital da Antologia Duendes, uma palavra logo me chamou a atenção: domovoi. Amo a história e a cultura russas e decidi imediatamente que tentaria escrever algo com esses espíritos do folclore eslavo.

A primeira questão era em que época se passaria a história. Como estávamos falando de dark fantasy, pensei que não haveria período mais apropriado para o clímax do conto que aquele que ficou conhecido como o Grande Terror – o auge das perseguições stalinistas nos anos 1930. A contraposição entre folclore ancestral e racionalidade moderna também me pareceu interessante.

Agora faltava uma história, então comecei uma pesquisa mais aprofundada sobre os domovoi e extrapolei do folclore para achar minha tramaDescobri que esses espíritos domésticos, em geral benevolentes, podem se revoltar se não se sentem respeitados pelos moradores da casa. Dada essa capacidade para o mal, comecei a pensar no que aconteceria se a família de um domovoi se fragmentasse de modo súbito e traumatizante – digamos, devido a guerras e revoluções. Talvez as contrações do mundo humano pudessem ter efeitos psicológicos no espírito, deturpando-o a ponto de transformá-lo em um verdadeiro demônio. E o que faria – e seria – um espírito familiar sem familiares para proteger? Essa relação meio simbiótica deu uma motivação ao meu antagonista.

Depois de tomar liberdades com o folclore, tomei algumas com a história também: minha protagonista, vítima das perseguições a intelectuais, decide registrar suas obras em samizdat (literalmente, autopublicação – uma prática que se difundiria na União Soviética nas décadas seguintes e que apropriei como ideia de Natasha). Atormentada tanto pelo Estado como pelo seu espírito doméstico, ela não vê o cerco se fechando ao seu redor de modos inesperados.  

“Katyusha”me deu a oportunidade de trabalhar com um mundo que me interessa profundamente. É um prazer ver o conto publicado pela Draco e espero que gostem da leitura. 

O pote de ouro está no Catarse!

Aproveite: a

O Reino Invisível sempre esteve perto de nós. Além dos círculos de pedra, no coração das florestas, em dimensões das quais nos separa uma frágil barreira, um povo muito antigo nos espreita com olhos cheios de paixão, curiosidade, sabedoria – mas também inveja e maldade. Seu universo é cruel e violento, repleto de traição, vingança e crianças roubadas. E basta um rápido olhar para os contos tradicionais para saber que os duendes não são as criaturinhas adoráveis que as versões modernas fazem parecer.

Você pode pisar num círculo de trevos ou cogumelos. Pode fiar uma meada de lã. Ou pode participar do novo projeto da Draco no Catarse. De qualquer jeito, prepare-se: uma vez que tenha entrado em seus domínios, os duendes não vão te largar, e você talvez só consiga voltar de lá daqui a muito tempo. Pelo menos o tempo que levar para ler este livro até o fim.

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