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Como escrevi o “Juramento de um Pirata”, por Aya Imaeda
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Como escrevi “A Última Criança”, por Silas Chosen

Silas Carrança “Chosen” Bailão, trabalha com artes gráficas, publicidade, cinema, roteiros, escrita criativa e dá aulas de roteiro. Escreve para a internet sobre cinema, cultura pop, games, sociedade, política, espiritualidade, tentando sempre fazer isso com bom humor.  É fã de histórias, em especial fantasia, sci-fi e horror, sendo apaixonado por cinema em qualquer formato. Quando estudava quadrinhos, costumava ser o escolhido para escrever roteiros para o resto da classe desenhar. Mora em São Paulo e é acusado de ser engraçado quando dá palestras sobre cultura pop, história e as raízes sombrias da humanidade. 

Veja o que ele nos contou sobre o seu conto:

Escrever e contar histórias é uma paixão e quase que uma necessidade para mim, de maneira que eu procuro sempre por oportunidades como a de DUENDES – CONTOS SOMBRIOS DE REINOS INVISÍVEIS.

O requerimento – precisa ser uma história de horror, e precisa ser uma história com duendes.

A primeira imagem que apareceu, quando tentava pensar numa trama para a história, foi o final da história. Um evento histórico do mundo real, envolvendo uma coroa e um imperador, que nunca saiu da minha cabeça desde que ouvi pela primeira vez numa aula de história, simplesmente se traduziu a um contexto de reis, impérios e duendes. Com isso em mente, precisava encontrar todo o resto da história.  

Procure por listas das maiores histórias de horror de todos os tempos, os 20 melhores filmes de horror. Você vai notar que a pesada maioria deles são dramas de personagens. O monstro está lá, a casa mal assombrada, o demônio, o assassino, mas também está um protagonista passando por algo complicado, uma tarefa que vai mudá-lo. Senão, a história é só um passa-tempo, que você vai esquecer durante a pizza-depois-do-filme. Vai ser mais um livro “legal” que você leu.

O maior desafio então não é a criação dos elementos fantásticos, mas de um “herói” que tenha um ponto de partida e chegue num lugar inusitado, quer seja geograficamente ou dentro de sua própria vida. Não precisei ir longe para encontrar o Ricardo, um garoto que poderia estar em qualquer cidade grande do Brasil. Não só isso, mas eu tinha acabado de ler um romance de uma escritora estadunidense chamada Angie Thomas sobre choques culturais e ódio sistemático. Isso estava pesando demais na minha cabeça, e acabou achando um caminho para dentro de “A Última Criança”. Em especial, como os problemas criados pela maneira que a sociedade urbana vive impedem uma criança de ser exatamente isso, uma criança. Como um jovem perde não só sua inocência, mas às vezes a própria vida por causa de todo tipo de influência externa. Como muitas vezes somos incapazes de impedir o peso totalitário de certas instâncias da “autoridade”, e as cicatrizes e traumas que muitas crianças precisam carregar pelo resto da vida. Isso veio do mundo real, mas acabou “vazando” para a fantasia. O horror é automático.

Personagem criado, fui montando o passo a passo de como ele chegaria naquela situação final que eu concebi inicialmente. As inspirações vieram de todo tipo de lugar – LABIRINTO, filme de Jim Henson com David Bowie; CRÔNICAS DE NÁRNIA, de C.S. Lewis; e não pouca inspiração vinda do saudoso Terry Pratchett.

A história foi tomando corpo, os personagens foram dando seus passos, cometendo seus erros, e no final eu só precisei reescrever uma ou duas vezes vários pedaços do conto. 

Não só criar uma história, mas passar pelo processo de editoração, com ajuda da Ana Lúcia Merege, foram experiências incríveis, coisas com as quais eu sempre sonhei em fazer num contexto de fato profissional. 

Amo histórias desde sempre. Poder de fato criá-las é a melhor coisa do mundo.

O pote de ouro está no Catarse!

O Reino Invisível sempre esteve perto de nós. Além dos círculos de pedra, no coração das florestas, em dimensões das quais nos separa uma frágil barreira, um povo muito antigo nos espreita com olhos cheios de paixão, curiosidade, sabedoria – mas também inveja e maldade. Seu universo é cruel e violento, repleto de traição, vingança e crianças roubadas. E basta um rápido olhar para os contos tradicionais para saber que os duendes não são as criaturinhas adoráveis que as versões modernas fazem parecer.

Você pode pisar num círculo de trevos ou cogumelos. Pode fiar uma meada de lã. Ou pode participar do novo projeto da Draco no Catarse. De qualquer jeito, prepare-se: uma vez que tenha entrado em seus domínios, os duendes não vão te largar, e você talvez só consiga voltar de lá daqui a muito tempo. Pelo menos o tempo que levar para ler este livro até o fim.

Clique aqui para ver a campanha no Catarse

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