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Conversamos com Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes, autores de Socorro! Polícia!

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Essa reportagem em quadrinhos dos jornalistas Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes tem o objetivo de mostrar o quão problemática é a situação e que não existem soluções rápidas. Mas uma coisa fica clara, não se pode culpar o policial, pois ele é um dos que mais sofre com a Polícia Militar.

Confira.

Qual é a formação de vocês e como foram parar nos quadrinhos?

Como a maioria das crianças brasileiras, crescemos lendo Turma da Mônica. À medida em que fomos crescendo, acabamos indo para os mangás, os únicos tipos de quadrinho que chegavam na nossa cidade natal, que é muito pequena. O Luiz Fernando leu muito Bleach e Death Note, e a Amanda, como não tinha paciência com séries e preferia volumes únicos, leu de tudo um pouco. Só conseguimos aproveitar melhor o entusiasmo pelas HQs quando nos mudamos para Florianópolis e tivemos contato com o jornalismo em quadrinhos na faculdade. Ou seja, desde essa época, por volta de 2016, começamos a ler quadrinhos como se não houvesse amanhã.

Como vocês decidiram o tema dessa obra?

Enquanto nos preparávamos para o TCC, lemos Quadrinhos e Arte Sequencial, do Will Eisner. Em uma passagem, ele diz que os quadrinhos têm três potencialidades: erotismo, violência e a capacidade de causar emoções nos leitores. Como no jornalismo tradicional existem limitações em relação ao uso da primeira e da segunda potencialidades, queríamos usar os quadrinhos para explorar pelo menos uma dessas características. Junto ao professor que nos orientava, pensamos em um tema que fosse atual (na época, em 2015/2016, discutia-se muito a desmilitarização da PM) e que fosse novo para nós, porque o mais legal no jornalismo é aprender enquanto se produz a matéria.

O que é jornalismo em quadrinhos? Como isso se manifesta na sua HQ?

Jornalismo em quadrinhos é quando se usa a linguagem dos quadrinhos para trabalhar algum gênero jornalístico. Por exemplo: existem entrevistas em quadrinhos, perfis em quadrinhos e, como faz Joe Sacco, americano que diz ter inventado o gênero, relatos de viagem em quadrinhos. Nossa HQ se assemelha muito a uma grande reportagem — trabalhamos vários pontos relacionados ao mesmo tema, sempre ancorando nossas afirmações em documentos, artigos e entrevistas com PMs e especialistas em segurança pública.

Qual foi a maior dificuldade na hora de produzir esses quadrinhos?

Acho que a nossa dificuldade principal foi a mesma de muitos outros quadrinistas. Produzimos a HQ em um prazo muito apertado — desenhamos e colorimos tudo em dois meses — e foi difícil ter disciplina para sentar e finalizar duas páginas por dia nesse período. Outra dificuldade está relacionada ao fato de estarmos criando um produto jornalístico: foi complicado equilibrar a exigência do jornalismo de ser o mais informativo e completo possível com a exigência das HQs de não abusar muito da linguagem escrita.

Vocês acham que correm algum risco por produzir esse tipo de HQ? Já sofreram alguma retaliação?

Toda obra é passível de crítica, mas acreditamos que elas só vêm de quem não leu. Um exemplo muito claro disso foi a represália a Castanha do Pará, quadrinho do Gidalti Jr. que foi excluída de uma exposição porque retratava um policial pronto para atacar um menino. Quem leu a obra sabe que ela não ofende ninguém em nenhum momento, mas quem não se deu ao trabalho de ler achou a obra ofensiva.

Quando veremos um novo trabalho de vocês?

Esperamos que muito em breve. Não temos nenhum prazo definido, mas podemos garantir que o próximo não vai ser feito na correria e que não vai envolver temas relacionados à PM.

Como foi a concepção da capa?

A capa foi uma ideia do Raphael, nosso editor: ele queria homenagear as capas de quadrinhos policiais antigos (Crime Stories) com a ideia de que a sombra do policial representasse seus medos e angústias. Foram produzidos quatro rascunhos de capa, mas só dois foram escolhidos e finalizados: a capa e a contracapa atuais. A paleta de cores também foi inspirada nos quadrinhos antigos, que tinham uma gama de opções mais limitada.

Esse livro é contra polícia ou a favor?

Na verdade, ele não é nenhum dos dois. Hoje em dia, existe a ideia de que só existem dois lados e que tudo tem que ser polarizado. Reconhecemos que no começo da apuração tínhamos um posicionamento, mas acabamos revendo nossas opiniões ao longo do caminho. Agora, fica claro que existem tanto pontos positivos quanto negativos na polícia e que não podemos culpá-la por tudo que acontece na segurança pública. Acho que o ponto principal do livro é que policiais são humanos e brasileiros, e que por isso têm, além dos problemas da profissão, os mesmos dilemas que nós enfrentamos todos os dias.

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Raphael Fernandes
Raphael Fernandes
é o editor de quadrinhos da Draco.

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