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Samurais x Ninjas: Como escrevi “Morte e Honra”

Há um velho provérbio que diz que a vida dura uma geração, porém o bom nome dura para sempre. E foi justamente ele que veio a minha mente quando o chão empoeirado recebeu meus joelhos cansados serenamente. Em uma saraivada de cuspe eliminei todo o sangue que corria pela minha boca; o gosto metálico começava a incomodar. Os cabelos brancos molhados atrapalhavam a visão e o suor escorria pela barba.

Como todo bom escritor empenhando em desenvolver a sua técnica lá estava eu. Escrevendo? Não, vendo posts no Facebook. Mas há males que vem para bem, e foi nesta procrastinação que fiquei sabendo da iniciativa da Dracco em reunir contos sobre samurais e ninjas. Só aquele enunciado já foi o suficiente para convocar meu eu criativo ao trabalho. Dei uma pausa no livro que estou escrevendo atualmente e passei alguns dias pensando (e pesquisando) sobre o que escreveria.

Até que tive uma epifania. Essa história sobre uma ninja capaz de criar as melhores katanas que reino algum jamais vira, um samurai apaixonado e uma conspiração política surgiu. Eu escrevi dois parágrafos com êxtase, as têmporas latejando pelo cérebro despejando criatividade. E então tudo cessou. A janelinha da qual a ideia tinha saído se fechou e eu fiquei sem nada. Simplesmente não consegui prosseguir além daqueles dois parágrafos. Por mais que me esforçasse e espremesse a mente pelas semanas seguintes, nada saía!

Por fim, como um samurai prestes a ser derrotado (já vou chegar lá) me deixei vencer. O prazo para entrega os contos chegava a seu vencimento e eu não tinha nada palpável para entregar e arriscar uma participação. Era o fim. Talvez eu devesse voltar ao manuscrito de 100 mil palavras e finalmente terminá-lo. Mesmo que a sensação de sentir vencido por um simples conto fosse desoladora.

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Lembrei-me de como Tolkien dera início ao Hobbit. Ele encarou o papel vazio e digitou “numa toca no chão vivia um Hobbit”. Tudo o que teve de fazer em seguida foi se perguntar o que estava acontecendo ali — e depois escrever a maior obra de fantasia já vista, claro. Quando li isso a primeira vez achei incrível e passei a usar essa técnica quando era tomado por um bloqueio criativo. Eu simplesmente sentava e escrevia o que vinha a mente. Foi como uma tapa na cara. Por que não faz isso, idiota? Então eu fiz. Sentei em frente ao computador e a primeira imagem que me veio à mente foi a de um homem. Cabelos grisalhos, o longo bigode escorria pelo canto do rosto onde carregava marcas de um passado sofrido. Sangue escorria pela sua boca. Ele estava de joelhos. Era um samurai. Um homem de honra estava prostrado diante de um ninja. Mas por quê?

Tentei explicar o porquê. Quando dei por mim o conto estava pronto no mesmo dia. E acabou por passar — e bastante — do limite estipulado e então tive que lapidar o texto por algum tempo para que se encaixasse no desejado.

O conto se inicia em seu final. O que para mim foi divertido de fazer, já que nem eu mesmo sabia que caminho percorreria para enfim chegar ali. Foi um ótimo exercício criar as duas pontas e depois atá-las de uma forma que fizesse sentido.

Claro que para ir da primeira palavra ao ponto final tive de me utilizar de algumas referências. O tema principal do conto está estampado no título do mesmo — e eu curiosamente fui contra esse título (originalmente se chamaria Redenção), até ser vencido pela opinião de todos que cederam seu tempo para ler e opinar a respeito do meu texto de que este devia ser o nome: Morte e Honra. Acredito ser impossível conhecer o quanto os antigos samurais levavam a sério essa coisa da honra e não ficar fascinado. Construí minha história em volta disto. O que tem mais peso: sua vida, a vida de quem você ama ou a sua honra?

Outro aspecto que quis abordar é essa coisa atemporal. Sempre adorei steampunk. A ideia de o ultrapassado se chocar com o tecnológico é algo que sempre instigou minha criatividade. Aqui eu tinha a oportunidade perfeita. Por que prender a jornada desse samurai em conflito consigo mesmo ao Japão feudal? Por isso optei por um mundo e uma época fictícia. Um lugar onde ainda se usam fusumá, mas utilizam-se drones. Onde samurais praticam o hara kiri com suas katanas, mas ninjas usam rastreadores e pistolas automáticas.

Foram algumas horas de uma descarga de pensamentos e dedos cansados, seguidos de o dobro do triplo de disso gastos em edição. Como a história dá alguns saltos de tempo para explicar a infância, juventude e todo o caminho percorrido por Kazuo, o nosso samurai, até acabar ali, de joelhos aos pés de um ninja era de se esperar alguma incongruências. Essas que foram sendo caçadas e consertadas até o último segundo do prazo — literalmente.

E assim, foi como escrevi Morte e Honra.

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2 Comentários

  1. Mavi disse:

    O Felipe tem sido o melhor contista de ficção que eu já li desde H.P. Lovecraft.

  2. Ayasawa-san disse:

    Esse menino é um prodígio! Ótima história, envolvente e cativante, meus parabéns!

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