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Cirilo S. Lemos fala sobre o seu novo romance “E de Extermínio”

cirilo-s-lemosCirilo S. Lemos – @CiriloSL – nasceu em Nova Iguaçu, baixada fluminense, em 1982. Foi ajudante de marceneiro, de pedreiro, de sorveteiro, de marmorista, de astronauta. Fritou hambúrgueres, vendeu flores, criou peixes briguentos, estudou história. Desde então se dedica a escrever, dar aulas e preparar os filhos para a inevitável rebelião das máquinas. Gosta de sonhos horríveis, realidades previsíveis, fotos de família e ukuleles. Publicou em Imaginários – contos de fantasia, ficção científica e terror vol. 3 (2010), Dieselpunk (2011)Sherlock Holmes: Aventuras Secretas (2012) e Excalibur (2013). E o elogiadíssimo romance O Alienado (2012).

Vamos ao nosso papo!

Draco: Sabemos que a pergunta “de onde vem a ideia” pode causar reações estranhas em um escritor, mas não podemos deixar de fazê-la: de onde vem seu livro novo, E de Extermínio?

Cirilo S. Lemos: E de Extermínio não existiria sem Auto do Extermínio. Tempos atrás, quando a Editora Draco abriu para submissões a antologia Dieselpunk, tivemos algumas dificuldades para entender do que deveríamos tratar, afinal de contas. Dieselpunk era um conceito muito amplo e intuitivo, não havia uma obra que a gente pudesse falar é isso aqui o negócio. Cada filme ou livro que aparecia como referência era apenas uma apropriação para ilustrar um palpite. Todo mundo farejava mais ou menos um quadro geral, mas divergia nos detalhes.

Eu mesmo apontava Mad Max como uma obra que representaria o gênero. Mas após uma série de debates no extinto Orkut com a participação do próprio organizador, Gerson Lodi-Ribeiro, meio que seguimos a visão pela qual ele tinha mais simpatia: a primeira metade do século XX. Coloquei o Sr. Jerônimo Trovão e seus filhos para transitarem por um Rio de Janeiro que, mesmo em 1936, é a capital do Império. Mesmo mecanizado e industrial, o governo estava fraco. Manifestações de grupos fascistas, anarquistas e comunistas enchiam as ruas pedindo a cabeça do governante. Por trás de tudo, havia uma conspiração e interesses obscuros que poderiam jogar a Segunda Guerra Mundial bem no nosso quintal. Um Brasil diferente, mas familiar. Gerson Lodi-Ribeiro gostou, e foi ele quem sugeriu que a noveleta poderia se transformar em algo maior. Assim, Auto de Extermínio virou o capítulo um das desventuras da família Trovão. Tem assassinos, supersoldados, nazistas, uma santa do hiperespaço, super-heróis, vilões esquisitos, agentes secretos, clones, perseguições entre carrões envenenados e mochilas-foguete. É uma grande história de aventura e ação, no decorrer de dez anos. Também uma história sobre pais e filhos, por que não?

Draco: O que você pode dizer sobre a família Trovão?

CSL: Temos o Jerônimo, que não é exatamente o que a gente pode chamar de herói. Ele tem o hábito desagradável de matar as pessoas por dinheiro. Esse é seu trabalho. Uma Santa o visita de vez em quando e lhe conta o que vai acontecer em alguns instantes no futuro, tornando-o um cara bem difícil de pegar. Ele costumava se divertir, mas ver o filho Nômio começar a pegar o gostinho dessa vida acende um sinal vermelho em sua cabeça e ele percebe que está fazendo tudo errado.

Nômio é mais aventureiro, e não se importa em matar, se for preciso, porque todo mundo que se põe no caminho é um vilão em sua história. Ele gosta de armas, motores e boas histórias.

A Irmã Célia é uma ex-freira de uma ordem não reconhecida pela Igreja. Talvez seja uma feiticeira. Ela é a figura materna que tenta manter a família unida, o que nem sempre é possível. Levi é o filho mais novo. Tem algumas coisas estranhas a respeito dele. Bem estranhas, às vezes, um pouco mágicas. Mas os antagonistas acham que ele pode ser a chave para atingir seus objetivos.

Draco: E temos os vilões.

CSL: Ah, os vilões! Alguns deles têm os trejeitos dos vilões pulp, aquela coisa escancarada do cara malvado que faz qualquer coisa para realizar seu plano. Outros não são exatamente maus, só querem coisas diferentes. Tem os chefões do exército, generais maquiavélicos e manipuladores. Os americanos, que testam equipamento de guerra na Baixada Fluminense. A Trindade, soldados-cientistas que querem dissecar corpos para entenderem como funciona essa coisa de ver o futuro. Malucos com facas. Freiras armadas. Monarquistas revolucionários. Grileiros. Um super-homem nazista. Agentes secretos do Imperador. Se em O Alienado a gente podia explorar a percepção do protagonista sobre a realidade que o cercava, E de Extermínio segue por outro caminho. Aqui o foco é a aventura e a ação. Espero que seja uma leitura divertida.

Coletânea internacional

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O conto Auto do Extermínio que originou o livro será publicado na coletânea The Mammoth Book of Dieselpunk.

Clique aqui e veja a entrevista do Cirilo falando sobre a publicação do conto “Auto do Extermínio” na coletânea estadunidense “The Mammoth Book of Dieselpunk”. Traduzido pelo texano mais brasileiro do mundo, Christopher Kastensmidt, a versão em inglês se chamará “Act of Extermination”.

Leia mais aqui: www.sfsignal.com/archives/2015/03/table-contents-mammoth-book-dieselpunk-edited-sean-wallace/

Gostou da entrevista? Você pode adquirir o livro nos links abaixo.

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0 Comments

  1. Thiago disse:

    Legal, pena que ele não continua suas obras.
    O efeito quebra ossos termina com um “continua…” e até hoje não saiu continuação…

  2. Marcus Társis disse:

    O Cirilo é uma inspiração para todo aquele que deseja também escrever obras ficcionais. Gostei da entrevista. Muito bom.

  3. ingrid cristina do rosario disse:

    CIRILO VC AMA A LARRISA MANOELA EU NAO GOSTO DELA
    RSRSSRSRSRSRSRSRS RSRSRSRSRSRSRSRSRSRSRSRSRSRRSRSRSRSRSRSRSRSRSRSRS

  4. ingrid cristina do rosario disse:

    cirilo vc gosta da maria joquina

  5. Priscila Marcia Mariano disse:

    Parece bem interessante… Gostei da apresentação do livro. Assim que der, pretendo comprar. Parabéns Cirilo!

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