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[Top 5] Raphael Fernandes

Foi difícil extrair uma lista com apenas cinco referências essenciais da cabeça desse editor e roteirista dos quadrinhos da Draco. Depois de praticamente obrigá-lo a cortar toda a obra de Alan Moore, Grant Morrison e Warren Ellis da lista, ainda tivemos que convencer o figuraça de que um setlist do mais selvagem rock ‘n’ roll foge um pouco da proposta da lista. Interessante notar que seu trabalho é bem eclético, indo do humor da revista MAD até o cyberpunk, com toques de magia do caos que vimos na Imaginários em Quadrinhos – Volume 1. Depois de podar seu empolgado discurso com as mil coisas que ele queria listar, conseguimos chegar a uma enxuta lista das cinco pedras fundamentais do processo criativo do cara e ainda entender melhor o que acontece nessa mente alucinada.

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Lá vamos nós com mais um Top 5! Conheça cinco referências que explodiram a cabeça do nosso editor e autor de quadrinhos, Raphael Fernandes.

Monstro do Pântano – Alan Moore

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Lembro exatamente o momento em que meu amigo Devanir me apresentou o Monstro do Pântano do Alan Moore. Em poucos dias, eu havia conseguido a coleção completa na Banca do Toninho, famoso point alternativo de Santo André, e devorei aquelas páginas como se o mundo fosse acabar.

Em sua fase do Monstro do Pântano, o mago dos quadrinhos Alan Moore conta a história de como a criatura vegetal descobre que na verdade é um elemental do verde que nasceu da morte do cientista Alec Holland, e não que era o próprio alterado pela fórmula de crescimento vegetativo acelerado a que ele foi exposto antes de morrer numa explosão.

A partir do momento em que o Monstro percebe que não é humano e começa a viver como um vegetal, a história ganha um sabor inédito e incrível. A sensação é que você nunca vai descobrir o que pode acontecer em seguida, pois o leguminoso herói acaba enfrentando uma série de desafios, que vão desde uma equipe de filmagem possuída pela egrégora de uma fazenda de escravos, onde estavam filmando a história do lugar, até uma viagem para outro planeta onde criaturas inteligentes e de propriedade vegetativa acabam sendo usadas para compor a massa vegetal do pantanoso, onde o ponto mais incrível é o casal que entra em crise ao descobrir o que se passa na mente um do outro durante o sexo.

Temos muito terror, fantasia e ficção científica de qualidade, que são temperados com elementos de romance, humor e política. Nenhuma grande obra do Alan Moore é de fácil leitura, mas parece que poucas pessoas descobriram a fantástica qualidade que o autor colocou em sua fase do Monstro do Pântano. Ele conseguia criar algo realmente profundo e divertido todos os meses e sua saída deixou milhares de leitores desesperados por novas histórias, que na mão de outros autores nunca encontraram a mesma genialidade.

A saga do Monstro do Pântano mostra como um autor de quadrinhos pode se reinventar a cada edição, agregando suas ideias a essência de um personagem aparentemente limitado. A maior lição que aprendi com Alan Moore é que não existem personagens ruins, mas sim arquétipos mal desenvolvidos.

Futuro Proibido – Vários autores

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Não consegui escolher um livro ou mesmo um autor que pudesse resumir tudo o que me interessa em literatura. Por isso, acredito que a pluralidade maluca de “Futuro Proibido”, organizado por Robert Anton Wilson e cia, é o exemplo ideal. A obra lançada parcialmente pela Conrad reúne os textos da obra “Semiotex(e) SF”, uma antologia que tinha o objetivo de publicar ficção científica de qualidade e subversiva que de alguma forma houvesse sido rejeitada por alguma editora ou que dificilmente seria publicada.

O que mais impressiona no livro é o elenco de autores transgressores: Bruce Sterling, Robert Anton Wilson, William Burroughs, Kerry Thornley, William Gibson, Rachel Pollack, J. G. Ballard, Colin Wilson, Hakim Bey e muitos outros. Sem falar que o tom dos textos se destaca, pois, além de ter contos, temos alguns ensaios e até um guia de viagem para um país anarquista fictício (que é de um autor anônimo).

Para você ter uma ideia da qualidade do livro, vou destacar – meu texto favorito – “Maslow, Sheldrake e a Experiência de Pico” do ocultista Colin Wilson. O ensaio levanta uma interessante teoria de como salvar o mundo: existe um tipo de manifestação do conhecimento que acontece mesmo sem um contato entre os espécimes de uma mesma raça (aquele lance de um macaco que aprende a quebrar um coco na pedra e meses depois todos os macacos da ilha mais próxima fazerem o mesmo), outra coisa interessante é que quando as pessoas tem uma experiência de pico, felicidade extrema, esse sentimento acaba sendo contagioso… e se a gente juntasse tudo e em apenas um dia todo mundo tivesse uma manifestação de felicidade extrema, contagiosa e global. Não seria o fim da depressão e sensação de vazio que atinge a nossa sociedade?

Um livro provocador e que faz qualquer um sair do sofá para uma vida menos mecânica e óbvia. Excelente referência para quem busca pensar fora da caixa.

Akira 

O inverno se foi.

O inverno se foi.

Somente agora tive a oportunidade de comprar os encadernados do mangá “Akira”, de Katsuhiro Otomo, mas não consigo pensar em como seria minha vida sem ter visto a animação “Akira”. Lembro de usar Bombril em uma televisão portátil em preto e branco para ver a exibição da animação que estava passando no antes bacana Canal 21.

O anime narra a saga de uma gangue de motoqueiros que vivem em Nova Tóquio, uma versão cyberpunk da cidade, que foi reconstruída depois de inúmeras guerras terem devastado a região. O protagonista é Kaneda, um destemido membro da gangue Cápsula, que entra em muitas roubadas para tirar seu amigo de infância Tetsuo das maiores encrencas. Até que um dia, Tetsuo é capturado por uma estranha corporação que faz experimentos com drogas em crianças e estimula suas propriedades psíquicas. Tudo perde o controle quando o jovem encrenqueiro começa a mostrar um potencial que havia sido alcançado apenas pelo lendário Akira, um garoto que se tornou tão poderoso que destruiu parte da cidade com seu poder mental.

A trama tem uma animação lindíssima e o empolgante movimento das luzes das motos, que lembra o caduco Tron, nunca será superado. Todo o detalhismo do roteiro e a marcante trilha sonora tornam esse OVA (filme de animação) um clássico para qualquer fã de cyberpunk e anime.

Black Mirror

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Queria escrever sobre Dr. Who inicialmente, mas acredito que a série fala por si só e muita gente já se encantou. Por isso, decidi comentar sobre outro seriado inglês que tenho assistido: Black Mirror. Com pequenas temporadas de 3 episódios cada, o nível da produção alcança níveis impressionantes de qualidade nos roteiros e efeitos especiais.

Black Mirror é um seriado que tem como mote apresentar o lado mais sombrio que as novas tecnologias podem ter ao influenciar as nossas vidas. As histórias podem se passar no presente ou em um futuro não tão distante onde as nossas vidas serão completamente modificadas com a introdução de alguma tecnologia que se popularize tanto quanto a internet e os smartphones.

Dentre os episódios, o que ganha maior destaque é justamente o que está mais próximo da nossa vida. Todos os humanos, passaram a usar um implante cerebral que registra tudo o que acontece e funciona como se fosse um HD para guardar suas memórias. A maioria das pessoas parou de depender da memória orgânica e todas as relações humanas são definidas através da visualização dessas imagens. Por exemplo, detalhes de uma entrevista de emprego podem ser discutidos com seus amigos na mesa do bar ou mesmo mostrar um vídeo provando que você catou geral na balada. Só que o tom do episódio é o drama. Vemos como um relacionamento em crise começa a se despedaçar quando o cara percebe que existe algo mais em um papo que sua esposa está tendo com um amigo dela.

Ver essa série me deixou com saudade de programas como Além da Imaginação, Quinta Dimensão e do monstro da semana de Arquivo X.

Philip K. Dick

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Escolhi a pessoa Philip K. Dick, pois citar uma de suas obras não será o suficiente para explicar o tanto que ele influenciou meu interesse por ficção científica e o questionamento sobre o que é realidade. A começar que o escritor já estava presente na minha vida antes mesmo de saber quem ele era. Afinal, algumas de suas obras foram adaptadas nos filmes “O Vingador do Futuro”, “Minority Report”, “Blade Runner” e muitos outros.

Para perceber sua influência em toda a ficção científica, recomendo que vejam este vídeo dele discorrendo sobre uma de suas novas teorias sobre a realidade:

Se você achou isso impressionante, não faz ideia do que é a experiência de ler “VALIS”, seu mais subestimado trabalho, que é uma autobiografia de uma personalidade extra que surgiu em sua mente após o traumático falecimento de uma amiga. Na obra, K. Dick revela uma situação insólita: certa noite, ele sentiu como se raios de uma cor próxima ao pink estivesse atravessando sua cabeça. Dias depois, ele descobriu que sabia um monte de informações que nunca poderia ter acesso, como aprender grego arcaico do nada. Na época, ele especulou que havia sido atingido por algum tipo de satélite secreto ou coisa do tipo. No entanto, seus experimentos batem com algumas ideias de acesso a memória contida em seu próprio DNA. O livro termina com um texto sobre sua visão pessoal da origem do universo e da própria fé.

Outro caso muito curioso pode ser lido nesta história em quadrinhos de Robert Crumb:

http://www.ovelhaeletrica.com/kdick/

Entrar no mundo kadiquiano é um caminho sem voltar e, assim como ler Kafka pela primeira vez, a sensação é de que você não era capaz de enxergar a realidade até ter conhecido a perspectiva dele.

Espero ter apresentado um pouco sobre o meu universo, mas gostaria de partilhar muito mais sobre filosofia, Tarot, quadrinhos, música e literatura. Espero voltar mais vezes para conversar com vocês!

Raphael Fernandes é editor da revista “Mad”, do blog de contracultura pop “Contraversão” e dos quadrinhos da editora Draco. Foi indicado ao troféu HQMix de roteirista novo talento por seu trabalho na HQ policial “Ditadura no Ar”. Escreveu histórias em quadrinhos introdutórias para os livros de RPG “Abismo Infinito” e “Space Dragon”. Lançou recentemente “Ida e Volta”, um gibi em formato de passe de metrô, mas, enquanto você lê, já deve ter lançado umas 10 coisas diferentes.

Raphael Fernandes
Raphael Fernandes
é o editor de quadrinhos da Draco.

0 Comentários

  1. Bruno disse:

    Ótimo artigo, e obrigado pelo link da HQ do Crumb!

  2. Leandro de Mattos disse:

    Nunca assiste Black Mirror. Me lembrou o anime Ghost in the Shell. Assista!

  3. Fausto disse:

    Eu fico meio inconformado sobre os Invisíveis não terem sido mencionados. Pois eu tenho certeza que foi FORTE influência para o roteiro de “A revolução não será compartilhada”.
    Em comentário adicional, eu comprei a HQ dos Imaginários, e já estou ansioso pelas próximas edições. Continuem o bom trabalho!

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