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janeiro 4, 2016
Os Personagens de Crônicas de Atlântida – Parte II
janeiro 25, 2016

Os Personagens de Crônicas de Atlântida – Parte I

O Olho de Agarta, segundo romance da série Crônicas de Atlântida, está no prelo e traz uma grande variedade de novos personagens. Nele reaparecem, porém, os três personagens principais do já publicado O Tabuleiro dos Deuses, mesmo se desta vez têm papéis menos importantes e aproveito a oportunidade dada pelo lançamento próximo e pelos desenhos criados por Fernando Salvaterra para reapresentá-los.

Tiakat400

Nenet Tonalnan Tiakat é a primeira a aparecer na trama e em muitos aspectos, a mais importante. O nome próprio vem de tiakat, “bambu” ou “taquara” na língua tlavatli e nesta, como na maioria das línguas atlantes, os nomes de família vêm em primeiro lugar. No início da saga, ela era uma jovem do povo tlavatli (leia Os povos de “Crônicas de Atlântida” para saber o que isso significa) em meio a seu aprendizado como xamã e parteira com sua mestra Kopinani. Moradora da “casa dos jovens” da aldeia de Tochiwayo, dividia sua esteira com dois amantes regulares e noivos em potencial, Olin e Witilin, num relacionamento muito aberto.

Negra retinta, alta, flexível, ágil e muito magra, Tiakat é sarcástica, espontânea, passional e irreverente. Depois da magia, seus maiores interesses são sexo e amizades, juntos ou separados. Não é considerada especialmente bonita em sem meio, mas é uma bissexual simpática, atrevida e respeitada por seus poderes mágicos consideráveis e seu relacionamento especial com a deusa Chiuknawat. Seu melhor amigo é Sistu, que ela chama de Mistonti (“leãozinho” em tlavatli),de quem falaremos a seguir.

Um breve trecho sobre Tiakat em Crônicas de Atlântida: o tabuleiro dos deuses:

Kopinani, a idosa xamã tlavatli de Raltlor, não perdia uma paciente há muitos anos, mas já não esperava ver a jovem senzar sobreviver ao primeiro parto.

 

Esgotados todos os recursos, criava coragem para dar a notícia aos parentes, mas Tiakat, a aprendiz, continuava a tentar conter a hemorragia à força de passes e cânticos. Gotas de suor brilhando por todo o corpo atestavam o esforço; o cabelo amarfanhado, a duração da longa batalha.

 

A velha parteira orgulhava-se da discípula e a amava mais que às cinco filhas que tivera, para não falar de netas, bisnetas, trinetas, tataranetas e demais descendentes que chegara a conhecer. A firmeza e a dedicação da moça a comoveram. Mais de uma vez, a exaustão obrigara a mestra a deitar-se para uma sesta, enquanto a aprendiz se recusava a afastar-se da paciente por um momento sequer.

 

Durante a manhã, um sismo sacudira a casa e fizera alguns parentes gritarem e correrem à rua e Tiakat nem piscou. Se a paciente não podia sair, ela ficaria a seu lado. Não cedia ao cansaço, ao menos a olhos leigos. Olheiras, se as tinha, mal seriam visíveis naquele retinto rosto tlavatli. O corpo delgado e flexível aparentava a energia agitada de sempre, em contraste com a mestra de gestos lentos, peitos caídos e pele enrugada.

 

A uma percepção mágica, porém, sua aura incomum mostrava-se cada vez mais perturbada. O furacão de fogo invisível relampejava e bruxuleava de maneira estranha. A mestra sondou-lhe a mente e a encontrou perigosamente tensa, à beira de um colapso.

Sistu400
Zi Temtés Sistu, cujo nome próprio vem de sis, “planície” e tu, “leste”, em senzar, alusão à região onde nasceu, é o segundo a surgir na trama, embora tenha sido o primeiro a ser criado. Embora o cenário viesse sendo imaginado por mim desde anos antes de começar a escrever, considero que a primeira linha só veio a ser escrita depois da decisão sobre o ponto de partida. Quando pensei: “um jovem do interior, digamos do leste da Grande Planície, nasceu numa família tradição militar, mas não quer ser um guerreiro” é que tive o primeiro vislumbre de um assunto e da história e pude começar a escrevê-la. O tema tornou-se logo mais abrangente e outras personagens ganharam importância igual ou maior, mas foi a partir dele que a história surgiu, assim como a de Tolkien nasceu do “Numa toca no chão vivia um hobbit” ou a de Martin da ideia da loba morta com seus cinco filhotes.

Sistu pertence ao clã Zi, “leão”, que como outros clãs senzares, distingue-se dos rivais por tradições e estética próprias, com ênfase no uso das cores vermelha e dourada e, no caso dos homens, de usar o cabelo solto e barba (rara entre os senzares) de forma a lembrar uma juba de leão. Ele é alto e musculoso, muito atraente pelos padrões de seu povo e tem a reputação de ser um amante fora do comum entre as desinibidas moças de sua vila Raltlor e da aldeia vizinha de Tochiwayo. Teve um desempenho físico e mental brilhante ao longo de sua educação, é campeão regional de esgrima e artes marciais e é visto por sua família de tradição militar como a grande esperança de ver um dos seus chegar aos postos mais altos da carreira e atingir a supremacia na política local.

O moço tem, porém, outros planos. Embora goste da luta como esporte, tem pouco apreço pela tradição guerreira de Atlântida em nome da qual seu querido tio materno Moam foi morto numa batalha sem importância. Quer compreender melhor o mundo e a história e planeja se justin-bieber-news.info and selena look like a couple at movie date or. candidatar ao Instituto Imperial de Kisharografia e História para seguir uma carreira de naturalista ou historiador. Como as leis matrilineares de seu povo põem os moços sob a autoridade do parente masculino mais próximo da linha materna, isso lhe impôs uma desagradável obediência ao tio-avô Jariô, autoritário e militarista. Quando começa a trama, Sistu acaba de chegar a maioridade e se prepara para lhe dizer um “não”. Conta com o apoio da amiga de infância Tiakat, que ele chama pelo apelido de Lelon (“unicórnia” em senzar), mas tem de enfrentar também as ambições de sua noiva Artás.

Um breve trecho sobre ele, também das primeiras páginas do romance citado:

A moça trouxe mais uma moringa da bebida esbranquiçada e refrescante, fermentada a partir de cereais e uma cuia grande de pipoca cheirosa para a mesa dos cinco. Sistu comentou:

 

– Daqui a uns dias vêm os recrutadores…

 

Tiakat sentiu-lhe a preocupação. Sistu, geralmente reservado e seguro, queria pôr algo para fora e desejava ajuda para convencer Artás de alguma coisa.

 

– Você quer ir? – perguntou Tiakat.

 

– O tio Jariô e minha mãe não querem me dar outra escolha…

 

Artás não gostou do rumo da conversa.

 

– Que casino outra escolha? Passar a vida cuidando de mastôs e pisando esterco?

 

– Muito pior é cortar cabeças e pisar cadáveres. Antes ser um diplomata e trabalhar pela paz. Mas meu sonho é ser um explorador, um naturalista, um historiador…

 

– Sem essa, Sistu-xin. Você vai ser um grande guerreiro, um mentô, vai comandar uma legião. Não faço por menos.

 

Não estava brincando, dava para perceber. Mesmo assim, Tiakat espicaçou-a. Com tato, sem deixar de respeitar o pedestal no qual a moça queria colocar-se.

 

– Artás-quan, você acha mesmo que seria tão bom ser a mulher de um mentô?

 

– E você não? Estou louca para largar a roça e sair deste fim de mundo! Mas o importante é que isso vai ser bom para o Sistu. Ele vai subir muito, com certeza!

Tjurmyen400

Maav Tjurmyen (de tjur, “pérola” e myen, “rosto”, “rosto de pérola”, em língua mugal),é a terceira e última dos principais personagens a surgir e se alternar com os dois primeiros no papel de protagonista, mas muitos a acham a mais interessante. Enquanto os dois primeiros nasceram e foram criados no interior de Atlântida, Tjurmyen é uma estrangeira. Ainda menina, sobreviveu à repressão de uma revolta de seu povo contra os senhores de Agarta, chegou como refugiada à capital do Império e foi criada em seu bairro mugal. Graças ao sucesso literário do avô e à sua própria inteligência e talento, teve uma boa educação em Atlântis e desenvolveu poderes bárdicos tão notáveis à sua maneira quanto os xamânicos de Tiakat. Quando a vê pela primeira vez, fica fascinada pela aura turbulenta da tlavatli, visível a seus olhos mágicos e lhe dá o apelido de Dayphong, “tufão” em mugal. A xamã, por sua vez, a apelida Sissã, nome senzar de uma espécie de corça pequena e meiga de sua região.

Tjurmyen fez fama nos teatros da elite atlante e ganha o suficiente para uma vida de relativo luxo. Miúda e delicada, de pele clara, tem uma aparência estranha para a maioria dos atlantes, mas fascinante e exótica para alguns deles. Entretanto, fora de suas apresentações se mostra tímida e tem uma vida quase reclusa. Sofre com a lembrança da violência sofrida por ela e sua família na terra natal, sente o peso da responsabilidade de vingar seus mortos e dar continuidade ao clã da qual se tornou a última sobrevivente e não sabe como conciliá-la com sua homossexualidade, trivial para os atlantes, mas mal vista por seu próprio povo. Leia como ela surge no romance:

Os alunos voltaram para a aula da tarde nas esteiras de cadernos em punho e aguardaram o mestre. Tiakat ficou no fundo para não atrapalhá-los, pois ali era apenas ouvinte. Chegou uma menina nova, de aparência exótica. Usava uma corrente de ouro sobre uma bonita túnica curta de mangas longas e muito largas de seda roxa, decorada com padrões florais intrincados, sobre calças compridas, bufantes e pregadas de cor e estilo semelhante, presas por uma faixa dourada, à qual vinha atada uma bolsa retangular de lona colorida. Trazia uma espécie de alaúde, de cor e formato diferente dos que Tiakat já vira.

 

Menina? Não, não devia ser, tinha de ter pelo menos a mesma idade dos outros, mas parecia uma adolescente. Tinha olhos rasgados e cabelos lisos, longos e negros como uma senzar, mas era bem pequenina, de formas suaves e delicadas e pele muito clara, quase branca. Linda. De rosto e ainda mais de aura, semelhante a uma violeta de mil pétalas.

 

Para surpresa de Tiakat, a recém-chegada se sentou no lugar do mestre.

 

Começou por olhar para o chão, como se receasse encarar os alunos e lhe custasse criar coragem para abrir a boca. Mas quando ergueu o rosto e falou, a voz clara e agradável surpreendeu Tiakat. Nenhum passarinho conseguiria ser tão melodioso.

 

– O nome desta barda é Tjurmyen – disse a moça. – Significa “rosto de pérola”, na língua daqui. Ela nasceu do outro lado do mundo, da ilha de Zjoey, habitada pelo povo mugal e conquistada há mais de um ciclo pelo Império de Agarta. Seu povo mugal rebelou-se contra os senhores agartis e foi vencido. Seu avô conseguiu fugir do massacre e trazer a neta a Atlântis. Aqui ela estudou a magia dos bardos na escola Muati até tornar-se uma mestra da ilusão e da fantasia. Seu maior prazer é subir aos palcos e encantar plateias com as mais belas criações da imaginação. Mas neste Instituto, prevalece o dever para com a memória verdadeira do povo que lhe deu vida, seja maçante, seja odiosa. Ela pede desculpas para quando isso não agradar, mas não os encantará para mostrar um belo conto e sim a dura realidade de uma era muito antiga…

Quer uma imersão completa nesse universo? Leia os posts sobre “Os povos do mundo de Kishar”.

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