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J. M. Beraldo fala sobre o seu novo romance "Império de Diamante"

beraldoConversamos com o escritor e game designer J. M. Beraldo, autor do romance Império de Diamante” e de diversos videogames e RPGs.

Vamos ao nosso papo!

Draco: Um imperador eterno, isso nos remete às histórias antigas e suas longas dinastias. Como seria a História de um povo cujo governante é apenas um?

J.M. Beraldo: Acho que a busca pela eternidade e suas consequências é um tema que atrai muito a imaginação. Apesar da África ser a inspiração óbvia de Império de Diamante, há também muito da mitologia oriental. O primeiro imperador chinês teria buscado a imortalidade para conseguir tornar eterno seu trabalho de unificar a China. Não deu muito certo para ele.

Num espelho com a nossa realidade, imagine um guerreiro africano na região do Chade vivendo para sempre. Imagine ele aprendendo a cultura dos seus adversários, suas táticas, suas fraquezas, aprendendo a esperar, transmitindo seu conhecimento para seus guerreiros. Quase que como no filme No Limite do Amanhã, você morre, mas continua mantendo seus conhecimentos e aprendendo cada vez mais. A imortalidade eventualmente leva à conquista, mas… também pode levar à estagnação social e tecnológica. Talvez a mudança seja mais difícil para um imortal, quase que como um reflexo da sua incapacidade de envelhecer.

Agora, imagine o efeito psicológico da imortalidade? Imagine morrer e voltar, imagine ver o mundo mudar a sua volta, mas não você. Imagine-se cultuado como deus por um povo. É a imaginação desse efeito psicológico que tentei trabalhar na história.

Draco: Como os elementos da cultura africana aparecem nesse universo fantástico? É uma série, afinal, imaginamos muita coisa bacana por aí.

JMB: Myambe não é um espelho da África, mas um mundo inspirado nela, assim como tantos outros mundos fantásticos são inspirados na Europa Medieval, mas não são a mesma. A parte de Myambe que aparece em Império de Diamante é inspirada em particular na porção norte da África. Usando o paralelo com o nosso mundo, imagine se aquele guerreiro imortal do Chade ao longo dos séculos viesse a dominar da Mauritânia à Eritreia, inclusive expulsando (ou conquistando) os muçulmanos que no nosso mundo real dominaram todo o norte da África, chegando até os atuais Portugal e Espanha. E imagine o reflexo disso: povos migrando em massa para longe, colonizando outras terras, gerando mais conflitos.

Myambe é tão cheio de diversidade como a própria África. Você encontrará o Povo Escolhido do Imperador, mas também aqueles que acreditam em oráculos que jogam búzios e ouvem espíritos, nômades primitivos, guerreiros pseudo-árabes lutando pela sua Terra Santa, necromantes falando com os mortos e muito mais. É um caldeirão em ebulição.

Império de Diamante é o primeiro livro de Reinos Eternos porque é o início de tudo, assim como foi a África. E os reflexos dessa conquista, dessa quase história alternativa, vão ser visíveis ao longo de toda série, mesmo quando não se passarem mais em Myambe, mas forem para os equivalentes à Índia, Nepal ou mesmo o Império Otomano.

Draco: Você trabalha com design de games e já escreveu RPGs. Como essas influências aparecem no texto e seriam relevantes o suficiente para boa literatura ou um bom escritor precisará sempre ser um bom leitor?

JMB: Não há como ser um contador de histórias sem ser um consumidor de histórias. Não importa qual o meio: filme, videogames, RPG, livros… Se você não consome, você não aprende. E quando mais variedade consome, mais entende da arte.

Eu me sinto privilegiado por ter tido a oportunidade de “contas histórias” em tantos formatos diferentes. Já fiz videogames, escrevi livros de RPG, roterizei curta de animação, cursos dos mais variados tipos, livros. Existem diferenças na forma de contar a história, nas ferramentas, nos objetivos. É como ter uma caixa de ferramentas daquelas enormes com todo o tipo de chave. Na hora de usar uma ferramenta, seu leque de opções é maior.

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Império de Diamante

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0 Comentários

  1. Vagner Stefanello disse:

    Acho que a diversidade cultural será um grande diferencial na série quando ela se tornar mais conhecida aqui no Brasil. Estamos carentes disso em nosso país, então imagino que “Reinos Eternos” chegue para suprir essa demanda.
    Gostaria muito também de ver os animais sendo ponto importante da trama, seja como montaria numa batalha ou parte de um sacrifício, etc.

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