Draco no 5º Salão do Livro de Guarulhos – 2016
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El Ojo de Uk – entrevista com Gerson Lodi-Ribeiro sobre a antologia Solarpunk
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Solarpunk World Scene – entrevista com Gerson Lodi-Ribeiro

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Luca Albani – Há quarto anos, depois de duas antologias, Steampunk (2010) e Dieselpunk (2011), ao decidir publicar uma antologia de ficção científica ensolarada, você não a batizou Greenpunk, mas Solarpunk.  Por que escolheu esse nome?  Creio não ter sido por questão de marketing, pois sua antologia nunca foi traduzida.

Gerson Lodi-Ribeiro – Desde o início, nossa perspectiva junto à Editora Draco era organizar uma “triantologia”, ou seja, um conjunto de três títulos, uma espécie de trilogia de antologias, inspirado no conceito original de steampunk: retrofuturismo, advento precoce de avanços científicos e tecnológicos em uma sociedade lusófona, imperial, do tipo vitoriana e daí por diante.

Assim, Vaporpunk foi uma antologia de ficção curta steampunk.  “Vapor” significa “steam” em português.  Dieselpunk foi uma antologia de ficção retrofuturista ambientada no começo da era dos motores a explosão.  E, enfim, Solarpunk foi uma antologia de ficção sobre fontes de energia autossustentáveis, como a solar, eólica, fusão nuclear etc.  Um fato curioso é que, ao contrário do que aconteceu tanto na Vaporpunk quanto na Dieselpunk, cujos contos e noveletas eram em sua maioria enredos de histórias alternativas, na Solarpunk a maior parte dos trabalhos constitui ficção científica tradicional.  Ao que parece, os autores lusófonos julgam mais difícil escrever ficção científica inspirada em fontes energéticas renováveis do que space-operas convencionais.

Por que não Greenpunk?  Bem, chegamos a cogitar esse título por alguns segundos.  Porém, concluímos que não funcionaria muito bem em português.

Nessa terceira antologia, empregamos o conceito de solarpunk em sentido amplo: nossos trabalhos incluem outras fontes de energia renovável que não a solar.  No entanto, ainda que vivam em futuros livres de poluição, os personagens dessas narrativas solarpunks enfrentam conflitos e os enredos em si ainda precisam manter doses razoáveis de tensão dramática, porque, do ponto de vista dos leitores atuais, as utopias assépticas do passado são um bocado chatas.

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LA – Em Shine: An Anthology of Optimistic SF (2010), organizada por Jetse de Vries, vemos 16 contos brilhantes sobre o futuro, inclusive, um conto do brasileiro Jacques Barcia, “The Greenman Watches the Black Bar Go Up, Up, Up”; um dos autores da Dieselpunk.  Vocês acaso se inspiraram na antologia do de Vries?

GL-R – Não foi o caso.  Em verdade, só ouvimos falar da antologia do de Vries alguns meses após a publicação da Solarpunk.  Por volta de 2010 ou 2011, já tínhamos estabelecido o conceito da Solarpunk como uma extensão natural da Steampunk e da Dieselpunk.

LA – Crê que o solarpunk pode se tornar um subgênero de impacto global?  Em anos recentes, os romances distópicos infantojuvenis se tornaram êxitos comerciais e revitalizam a ficção científica, mas, ao que parece, os leitores andam fartos de cenários pessimistas e anseiam por um jeito novo de imaginar o futuro… Ou será que o solarpunk não passa de um modismo passageiro?  Vocês se consideram satisfeitos com as repercussões da Solarpunk?

GL-R – Sim, naquele sentido amplo de que falamos há pouco, creio que o solarpunk constitui um tema válido e inovador na ficção científica, tanto em sua expressão literária quanto na visual.  Como leitor, confesso-me um bocado cansado dessas tramas distópicas bolorentas, travestidas com roupas novas.  Não creio que o solarpunk seja só um modismo.  As narrativas solarpunks são importantes, porque, em suas expressões mais emblemáticas, mostram aos leitores que, mais do que plausível, é lógico conceber uma civilização humana futura que não seja atormentada pela poluição, o desperdício e o aquecimento global.  O desafio que todo autor solarpunk deve enfrentar é o de elaborar sua narrativa não daquele jeito didático ingênuo gernsbackiano, mas sob a forma de contos e romances cujas tramas incorporam essas ideias relevantes (fontes energéticas limpas e renováveis, autossustentabilidade etc) de maneira divertida, inserida em um enredo convincente e original.

Como autor de ficção científica, normalmente tento criar o futuro mais plausível que sou capaz de conceber para o conto ou romance que estou escrevendo.  Porque, escrever sobre um futuro no qual as pessoas usam fontes energéticas renováveis soa extremamente plausível para mim.  Afinal de contas, é um bocado difícil imaginar a sobrevivência da humanidade nos próximos cem anos, sem se abandonar a queima de combustíveis fósseis em favor do emprego de fontes energéticas renováveis, o consumismo desenfreado em favor das práticas autossustentáveis.

Infelizmente, a antologia Solarpunk teve menos repercussão no Brasil do que a Vaporpunk e a Dieselpunk.  Uma explicação provável é que os leitores e os críticos lusófonos preferem narrativas escritas no subgênero das histórias alternativas àquelas elaboradas como ficção científica tradicional.

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LA – M. Elizabeth Ginway escreveu que “o gênero (da ficção científica) nos fornece um barômetro para medir as atitudes em relação à tecnologia, ao mesmo tempo em que reflete as implicações sociais da modernização na sociedade brasileira”.  Como anda a ficção científica brasileira hoje em dia?  Que livros recentes de FC brasileira você recomendaria?

GL-R – Desde 2009, estamos vivendo uma espécie de boom da literatura fantástica nacional.  No entanto, esse boom não se reflete muito nas vendas de livros de ficção científica brasileira.  Já a fantasia e o horror nacionais se encontram em situação melhor.  Hoje em dia, os autores brasileiros desses dois gêneros vendem mais livros do que os de ficção científica.  A FC brasileira é o primo pobre da literatura fantástica nacional.  Ainda assim, tenho forte impressão de que é mais fácil publicar FC brasileira hoje do que dez anos atrás.

Para aqueles que leem em português, em termos de ficção científica propriamente dita, recomendo os romances Guerra Justa (Draco, 2012) do Carlos Orsi; Dezoito de Escorpião (Novo Século, 2014) do Alexey Dodsworth; e Homens e Monstros: A Guerra Fria Vitoriana (Draco, 2013) do Flávio Medeiros.  E, é lógico, nossa triantologia, Vaporpunk, Dieselpunk e Solarpunk.

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LA – Você é um escritor de ficção científica conhecido, um dos mais ativos do Brasil.  Por favor, fale-nos sobre seus trabalhos e seu papel na Editora Draco.  É possível ler seus contos em outros idiomas que não o português?  Por acaso há planos de traduzir Solarpunk: Histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável para outros idiomas?

GL-R – Até agora, já publiquei em português: cinco coletâneas de ficção curta, uma novela e quatro romances.  Esses romances são: Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas (2009), Aventuras do Vampiro de Palmares (2014), A Guardiã da Memória (2011) e Estranhos no Paraíso (2015).  Os dois primeiros se incluem nos cânones do subgênero das histórias alternativas.  Além disso, organizei dez antologias de ficção curta, sete das quais já publicadas.

Apesar de ainda não ter livros solo em outros idiomas, vários dos meus contos e noveletas foram publicados no exterior.  Citarei apenas os publicados em inglês, embora alguns desses tenham aparecido também em francês e espanhol: duas noveletas de história alternativa, “A Ética da Traição” e “Crimes Patrióticos”; duas noveletas de ficção científica, Missão Secundária” e “Longa Viagem para Casa; dois contos de história alternativa, “Xochiquetzal e a Esquadra da Vingança” (finalista do Sidewise Awards em 2001) e “Primos de Além-Mar”; e os contos de ficção científica “Pai Querido” e “Alta Temporal”.

Até onde eu sei, a Editora Draco não tem planos imediatos de traduzir Solarpunk: Histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável para o inglês ou outros idiomas.

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