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Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: Sokos
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Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: Planície Imperial

Ludzie06(js)

Essa carta, quinta de uma série,  foi escrita por um historiador estrangeiro sobre sua viagem por Myambe. Para conhecer todas as cartas já publicadas, clique aqui.

À excelentíssima Exarca Sofia I e aos estimados sócios da Companhia Mercantil de Valmedor,

Desculpem pela letra trêmula, mas escrevo este relatório escondido em uma carroça, oculto por uma lona, enquanto escapo em alta velocidade de um demônio encarnado que quer me matar.

Talvez seja melhor explicar do começo, deixando tudo mais claro.

Os fatos deveriam estar claros para mim quando descobri o que o deus-vivo mandou fazer aos portos e construtores de navios nos reinos conquistados.

O Império de Diamante não é hostil apenas aos demais reinos de Myambe, mas a qualquer um que renegue a divindade do Imperador. E, apesar das muitas falhas em relação à tecnologia e organização social, o Império de Diamante possui dois elementos que o tornam uma força a ser temida: o fanatismo de seu povo, e seus Primogênitos.

Como muito da religião local, os Primogênitos continuam em grande parte uma incógnita velada em lendas. São homens cujos rostos ficam ocultos em máscaras feitas de contas coloridas de forma que nunca sabemos ao certo quantos são. Agem como o topo da cadeia alimentar no Império, filhos herdeiros de um imperador imortal, apesar de que creio que sejam, na verdade, os primogênitos das famílias nobres que nas províncias mais centrais do Império. Ao que pude compreender, são todos, ou ao menos aqueles que encontrei, possuídos por entidades extraplanares e são, portanto, Eternos. Não puder presenciar a natureza de sua eternidade – aquele que nos persegue agora parecia intocado por qualquer ataque que os homens que me acompanhavam fossem capazes de desferir.

Jamais encontrei o Imperador em pessoa, apesar de que nativos mais velhos disseram que eles costumava caminhar pelas ruas da capital com frequência e liderar seus exércitos em ataques. Creio que seu desaparecimento tenha a ver com o resultado da conquista do Vale conforme relatei anteriormente.

Mapa

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Uma breve história

O Império de Diamante possui sua própria ordem de escribas cuja missão é escrever a história do Império. São na verdade açougueiros cruéis, vândalos que destroem documentos históricos importantes tomados de povos conquistados. Pude por um breve momento presenciar o trabalho destes facínoras, destruindo à cinzel e tinta documentos dos mais diversos datados de um milênio ou mais. Confesso que foi este crime que denunciou minha presença e minhas intenções. Arranquei das mãos daqueles monstros o que pude, mas tive de escapar para salvar os documentos – e minha vida, claro.

O pouco que pude interpretar até o momento – e que depende em muito da história religiosa forjada pelos escribas – é que o povo originários do Imperador veio do norte cerca de dois mil anos atrás. Ao longo de quinhentos anos conquistou e perdeu terreno diversas vezes ao ponto de ter desaparecido de relatos por pelo menos um século. Retornou cerca de 1.500 anos atrás com uma força superior de origem desconhecida – imagino que as entidades que chama Primogênitos -, e conquistou os reinos do Norte, forçando nossos ancestrais a fugir para Akanisha.

O Império só tornou sua estrutura teocêntrica atual aproximadamente quinhentos anos atrás com a conquista das províncias centrais: Jimfara, Dnege e Manjija. Neste período algo aconteceu que levou o imperador a acreditar ser um deus e permitir a formação de um clero a sua volta. Foi também o período em que foi decidido editar a história contada pelos povos conquistados.

A região central está sob o comando e influência direta do clero há tantas gerações que não existe qualquer indício de rebelião ou descontentamento entre seus habitantes.

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Curiosidade local

A planície de Myambe é um lugar impressionante em vários sentidos. Plana, extensa, coberta de grama dourada alta e repleta de árvores como jamais vi em todas as minhas viagens. Mas talvez o mais impressionante sejam os animais que habitam a região. Já mencionei as zebras usadas como montaria, animais brancos com listras negras que, em conjunto, são hipnotizantes. Girafas, similares às zebras, mas extremamente mais altas e de pelagem amarela com manchas, combatem à cabeçadas, como se seus longos pescoços fossem aríetes. Infelizmente não vi ninguém tentar montar uma delas. Manadas infindáveis de outros animais com os mais variados formatos de chifres também rondam a região. Há gatos selvagens enormes: leões e chitas em particular. Esta última é cultuada como olhos do deus-vivo e são vistas caminhando nas ruas da capital sem qualquer espécie de coleira ou correntes.

O que mais me impressionou foi a existência de tão rica fauna no coração de um império tão extenso. Só fui compreender posteriormente que era um reflexo do clero do deus-vivo. Segundo seus dogmas, são proibidos de comer carne. Enquanto isso não é forçado aos cidadãos, a grande maioria nas províncias centrais segue estes mesmos dogmas. A caça de animais acaba destinada apenas a rituais religiosos e proteção.

Conclusão

Não existe hipótese alguma de conseguir contato direto com o Império de Diamante. Apesar de suas muitas qualidades e da beleza das terras sob seu comando, o deus-vivo não é receptivo a estrangeiros e temo declararia guerra às cidades-estado de Valmedor se tentássemos forçar a relação. Guerra também é desaconselhável: se um único Primogênito é capaz de derrubar duas dúzias de soldados treinados, imagine o que seriam capazes toda uma tropa deles?

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