Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: Planície Imperial
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Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: Sokos

060809-N-0411D-009 Chemeril Dam, Kenya  (Aug. 9, 2006) - A group of Pokot women walk to a meeting at called by the tribal mayor of the region, to help spread the word about the upcoming veterinary out-reach mission being performed by U.S. and East African military forces during exercise Natural Fire. Natural Fire is the largest combined exercise between Eastern African community nations and the United States, and includes medical, veterinary and engineering civic affairs programs. U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class Roger S. Duncan (RELEASED)

Essa carta, última de uma série,  foi escrita por um historiador estrangeiro sobre sua viagem por Myambe. Para conhecer todas as cartas já publicadas, clique aqui.

À excelentíssima Exarca Sofia I e aos estimados sócios da Companhia Mercantil de Valmedor,

Após o problema em Jimfara, os sobreviventes da expedição e eu encontramo-nos em uma pequena cidade chamada Ibongô, onde muitas caravanas passam cruzando o continente. Fiquei abismado com o que encontrei em uma delas, vinda do Oeste: animais gigantescos de pele cinza grossa com uma longa cauda no rosto que, por incrível que pareça, é tanto nariz quanto mão. Curioso sobre as maravilhas que encontraria além deste animal chamado elefante, segui com uma caravana até a província imperial de Sokos.

Sokos fica em um planalto isolado do centro do Império, onde as montanhas que cercam o Vale e a Costa Livre formam um terceiro vale, este coberto por uma floresta tropical densa. Se me impressionei com a variedade de vida na planície central de Myambe é porque não tinha ainda visto o que encontraria em Sokos.

Se o perigo na planície era o Império, em Sokos é a própria fauna. Sapos das mais variadas cores, tamanhos e formas abundam por toda a parte, seja enterrados no solo, ocultos pelas folhas mortas ou na copa das árvores. Parecem existir em toda parte ao mesmo tempo. Toquei um sapo vermelho e amarelo e quase morri devido a uma toxina em sua pele. Os rios e lagos estão cheios de seus próprios perigos. Crocodilos – algo que eu compararia aos dragões de Yawassa – infestam águas barrentas e suas margens. Perdi um de meus companheiros de viagem para estes monstros. Um deles saltou da água onde se escondia e arrastou o coitado para a água. Vimos quando rodopiou sob a água com o homem ainda vivo, atraindo a atenção de outros animais.

A densidade da floresta acaba tornando a província menos coesa que as demais. Centenas de pequenas vilas existem espalhadas pela floresta, isoladas a maior parte do tempo. A coisa muda de fugira apenas nas proximidades do Lago Espelhado, onde a floresta dá espaço à pradaria. É lá que fica a capital provincial, Amlak.

Mapa

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Uma breve história

Sokos tem uma história diferente das outras províncias do sul. Foi invadida uma vez mais de um século atrás, mas abandonada antes do final de sua conquista devido a alguma coisa ao norte que teria atraído a atenção do deus-vivo. O Império de Diamante só voltaria a invadir Sokos poucas décadas atrás, entre a conquista de Melkat e a do Vale.

Talvez por isso, e pela dispersão provocada pela densidade da floresta, muito da cultura e história pré-Império permanece viva, mesmo que de difícil acesso.

Não existia um único reino em Sokos, mas sim uma cultura rica dispersa em povos isolados. Amlak era mais centro religioso do que capital, repleto de templos de formato cônico hoje usados como residências de nobres imperiais.

Devido a esta falta de centralização, Sokos foi presa fácil na primeira invasão pelo Império. Mas, enquanto seu povo teve dificuldades em armar uma defesa, o terreno, fauna e flora agressivos custaram aos conquistadores. As décadas entre a primeira e a segunda invasão deram aos povos de Sokos tempo para organizarem-se, de forma que a segunda invasão foi a mais custosa do Império nos últimos três séculos.

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Curiosidade local

O povo de Sokos tem uma crença curiosa a respeito da natureza. Cada pessoa, cada animal, cada planta, possui uma alma, e todas elas estão vinculadas por uma rede invisível. Acreditam que, dado o conhecimento adequado, é possível curar e matar. Após meu encontro com o sapo venenoso – e a cura, um simples chá de folhas -, fico propenso a acreditar. Entre os guerreiros sokosi há aqueles que dizem serem possuído por demônios. Bebem poções naturais que os tornam resistentes a dor e fortes. Parte para a guerra em seus elefantes e não consigo imaginar qualquer exército capaz de enfrentá-los.

Se no Vale usam cavalos e na planície usam zebras para transporte, em Sokos usam elefantes. Não tão grandes quanto aqueles que vi nas caravanas, mas uma espécie menor e mais atarracada, mas não menos impressionante. São tratados como animais de estimação e demonstram inteligência impressionante.

O que torna as coisas ainda mais fascinantes são as histórias sobre os diversos povos que habitam a floresta. Falam sobre homens peludos enormes chamados gorilas, outros que vivem nos rios e tem caudas de peixe, e outros pequeninos como crianças, mas de dentes afiados com os de um predador. Fico triste de não ter tido a oportunidade de conhecê-los.

Conclusão

Acredito que Sokos guarda diversos conhecimentos naturais que podem ser explorados pela Companhia Mercantil. Entre os principais produtos estão um tecido feito por uma espécie de lagarta, pequenas frutas chamadas pimenta capazes de queimar como fogo, e diversos remédios naturais.

Não me arrisquei a contactar o Zaim de Sokos. Temia que a notícia do meu encontro infortuito em Jimfara houvesse chegado aqui. De qualquer forma, acredito ser mais aconselhável o contato com a miríade de povos habitando a floresta.

1 Comment

  1. Vagner Stefanello disse:

    Essa diversidade de povos e o cuidado em retratar a cultura/fauna/flora de cada região é o que estará diferenciando o trabalho do Beraldo dos demais autores brasileiros no futuro. Torço para que tudo dê certo!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/

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