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Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: O Vale da Estrela

bedouinEssa carta, terceira de uma série,  foi escrita por um historiador estrangeiro sobre sua viagem por Myambe. Para conhecer todas as cartas já publicadas, clique aqui.

À excelentíssima Exarca Sofia I e aos estimados sócios da Companhia Mercantil de Valmedor,

A última das conquistas do Império de Diamante fica literalmente às portas da Costa Livre. Um caminho estreito e sinuoso pelas montanhas ao sul leva até esta região chamada de Vale da Estrela por muitos, e Terra Prometida pelos nativos.

O Vale é literalmente uma bacia fértil cercada de montanhas por todos os lados. A vista do solo é impressionante: há montanhas por todos os lados, dando uma curiosa sensação de proteção ou, talvez para alguns, claustrofobia. O Vale não é pequeno. São necessários alguns dias de caminhada para atravessá-lo de uma ponta a outra.

Poucos anos atrás o Vale foi invadido pelos exércitos do Império de Diamante. As marcas desta invasão estão visíveis em cada cidade e vila, mas ruínas deixadas para trás, e nas famílias destruídas. Mas não há sinal da presença do Império em parte alguma. De fato, em grande parte o Vale parece abandonado, com muitas vilas e mesmo a capital, Khalidah, entregue a oportunistas e saqueadores. Por mais de uma vez sofremos ataques noturnos durante nossa estadia na região, rechaçados por nossos guias nativos e tropas da Companhia. Nativos falam aos sussurros, sempre com sorrisos no rosto, que aqui caiu o deus-vivo, morto por uma lança sem nome. Seria por esta razão que membro algum do Império atrevesse a colonizar o vale, a ponto que o próprio governador local, um Zaim Yuza, recusa-se a sair da cidadela na entrada norte da província. Quando tentei visitá-lo fui recebido com desconfiança, e ordenado seguir para a capital do Império, Jimfara, para lidar diretamente com o clero do deus-vivo. Segundo um assistente enviado para receber-me – o Zaim nem sequer apareceu na janela da cidadela -, Jimfara guarda uma extensa biblioteca repleta de conhecimento sobre Myambe. Resta saber o quão extensa ela é comparada à nossa própria Grande Academia.

Mapa

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Uma breve história

Saber detalhes sobre o Vale é uma tarefa complicada. Os nativos falam em parábolas místicas cujas verdades são difíceis de encontrar. Após muito pedir foi apresentado a um senhor cujo título é Dabir (jamais me ofereceu seu primeiro nome, como de costume). O Dabir é uma espécie de líder religioso e professor, uma casta supostamente comum nos tempos antes da conquista pelo Império. Posso apenas imaginar o destino destes homens sábios após a invasão.

Seguindo o Dabir, o povo da Estrela foi expulso de suas terras ao norte de Myambe quando o Império de Diamante tomou a atual província de Wakalla. Forçados a escapar, o povo da Estrela (então chamados por outro nome desconhecido por mim) viajou por terras inóspitas por semanas sem rumo, até que uma estrela no céu brilhou cedo pela manhã. Naquele mesmo dia, um dos homens sábios ouviu uma voz incorpórea prometer a Terra Santa àqueles que chegassem ao Vale ao Sul de Myambe. A Estrela da Manhã é cultuada até hoje, reverenciada pelos seus seguidores pela manhã com orações obrigatórias.

Quando questionei sobre habitantes anteriores do Vale, conforme citado no relatório anterior, o Dabir apenas sorriu, falando que foi apenas mais uma provação imposta pela Estrela. Considerando o estilo marcial do povo da Estrela, o destino de tais nativos é claro.

O Vale mais tarde receberia um terceiro povo, nômades primitivos denominados Surna, com quem o povo do Vale acabou travando contato pacífico na maioria das vezes. Alguns desses indivíduos que cortam o próprio rosto para identificar seu lugar na sociedade andarilha ainda vivem no Vale como se nada tivesse acontecido.

A conquista do Vale não destruiu o espírito de luta do povo da Estrela. É claro que existe um movimento organizado de resistência e eu mesmo presenciei mais de uma incursão de homens armados além das fronteiras do Império.

 

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Curiosidade local

O isolamento do Vale permitiu o surgimento de algumas espécies locais que não encontramos em outras partes do continente. Os dois animais mais curiosos que encontramos são chamados ovelha e cavalo.

Ovelhas são parentes de bodes que existem por toda a cadeia de montanhas do Sul, mas cujos pelos parecem algodão. Nativos cortam estes pelos e os usam para produzir tecidos dos mais diversos tipos. Vi muitos deles sendo vendidos em Porto Qadis, mas supunha ser de origem vegetal.

Cavalos são animais curiosos. Quadrúpedes altos e fortes, muito velozes. Encontrei diversas manadas selvagens no Vale e em partes restritas do planalto ao Norte. São usados pelos nativos como montaria e animal de tração. O povo da Estrela gaba-se de ter os melhores animais do tipo, criados para serem rápidos como nenhum outro animal. Além das fronteiras do Vale encontrei dois outros tipos de animais semelhantes: os mais proeminentes parentes listrados chamados zebras e as estranhas girafas, cujos pescoços alcançam as copas mais altas. Falarei mais a respeito de ambos em relatórios futuros.

O último elemento de curiosidade pertinente sobre o Vale é a ordem militar-religiosa denominada Marid. Estes guerreiros-santos levam a palavra da Estrela da Manhã e dos Dabir além das fronteiras do Vale. Antes da conquista eram uma mistura de justiceiros andantes, tidos como autoridades na lei local, com permissão de julgar e executar. Após a invasão, tornaram-se generais e líderes de pequenas tropas rebeldes. São extremamente fiéis à seu povo, incorruptíveis, e incríveis na arte da guerra. Tenho minhas dúvidas se seus dons são inteiramente naturais.

Conclusão

O Vale é um lugar perigoso, não só pela presença de bandidos, mas pelo conflito com o Império e a fé às vezes cega do povo da Estrela. O Dabir mostrou-se bastante interessado em conversar sobre tratados que pudessem dar-lhes uma vantagem na reconquista, mas seus seguidores não pareceram muito propensos ao diálogo. Ameaças foram feitas e mais de uma vez vi uma lâmina ser puxada quando acreditaram que eu viera como um novo conquistador oculto em vestes de um estudioso.

No entanto, o povo da Estrela não é o único que resiste ao Império de Diamante; é apenas o mais forte e recente. No próximo relatório falarei sobre a província de Melkat.

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