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Priscilla Matsumoto fala sobre seu novo romance “Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte”

PriscillaMatsumotoPriscilla Matsumoto – @balljointedpuri – tem tantas palavras para expressar que, por vezes, elas extrapolam o papel. A escritora carioca, de 29 anos, está lançando seu segundo romance e tem diversos e-books publicados na internet, e ainda alimenta seu blog, Alada com poesia, contos e resenhas.

Mas a veia literária dela pulsa para fora das palavras escritas (analógicas ou digitais), e jorra para a oralidade cênica. Priscilla escreve para o coletivo teatral que divide com seus amigos há 12 anos.

Fincada na narrativa de imagens que absorveu do teatro, a dramaturga lança o romance “Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte”. Com ares sombrios, sangrentos e pervertidos, a história é livremente inspirada em “Alice no País das Maravilhas”– o realismo fantástico faz pontes com “Misfits”, “My Chemical Romance”, cultura pop japonesa… Enfim, tudo que Alice poderia encontrar por aí, de fato. E é tão teatral que Priscilla sabe que atores poderiam desempenhar os papéis de cada personagem no palco.

Vamos ao papo?

Draco: Como surgiu a ideia de recriar uma personagem tão emblemática como Alice?

Quando criança, eu tinha uma amiga imaginária chamada Alice. Lá pelos meus 23 anos, sofri uma depressão cujo único fruto artístico foi a peça teatral “Alice – A síndrome”, sobre a qual já falei em outro post aqui no blog da Draco.

De uma forma ou de outra, Alice nunca me abandonou, ela sempre foi uma espécie de reflexo meu. Alice, a ball jointed doll, foi esculpida por Frank, a princípio, em uma tentativa sua de se sentir menos sozinho, de ter uma companheira que estivesse entre o humano e o material, entre “pessoa” e “coisa”. Isso porque suas lembranças relativas às pessoas eram traumáticas demais e, ao mesmo tempo, nenhum objeto material seria capaz de aplacar sua solidão.

A relação entre a boneca Alice e Frank não é muito diferente da minha relação com a literatura, com a arte. Como diz uma das personagens a Frank: “As coisas que a gente cria nos fazem mais companhia que as coisas que a gente compra”. Há também, como não podia ser diferente, um sentimento de posse muito maior envolvido, devido ao fato de Alice ser uma boneca. Frank se sente confortável na presença da ball jointed doll por crer ser esta incapaz de incutir nele sentimentos semelhantes aos provocados pela moça Alice, a louquinha, num doloroso passado. Porém, ao longo da história, esse caráter “objeto” e intrinsecamente dependente de Alice em relação a Frank começa a se modificar.

Draco: Na sua história, o Gato de Cheshire é a figura central, e adquire uma persona muito específica: Frank. Como você descreveria o Frank? E por que ele é o Gato de Cheshire?

Frank é o cara mais livre e, ao mesmo tempo, mais aprisionado que existe. Ele vai pra onde quer, pega quem quer, não tem o costume de pensar em consequências. Contudo, Frank arrasta por esses caminhos hedonistas um passado doloroso. É essa dicotomia me fez enxergá-lo – através dos olhos de Alice, claro – como o Gato de Cheshire. Entre os loucos, o mais lúcido. Aquele do sorriso cínico e da cabeça desprendida. E, exatamente por isso, o único que tem alguma chance no embate contra a temida Rainha dos Corações, afinal “não se pode cortar uma cabeça que não está presa a um corpo”.

Draco: Quem é você em Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte”? E quem são os outros personagens? São pessoas que passaram pela sua vida?

É meio óbvio, mas acho que acabei colocando um pouco de mim em todos os personagens, por mais diferentes que sejam entre si. Tay é costureira como eu, Shin é descendente de japonês, Emi é sociopa… não, pera. Hahahaha. Brincadeiras à parte, acredito que os mais parecidos comigo, pela tessitura emocional ou pela personalidade, sejam Frank e Michaela. Alice também, mas como ela foi interpretada pela minha irmã no teatro, não consigo dissociar a imagem dela da boneca e da louquinha que a inspirou. Pra falar a verdade, Frank acabou sendo um amálgama inconsenquente entre meus dois melhores amigos e eu, muitos de seus impasses e reflexões vieram de nossas conversas de bar. E Adele… Sim, Adele é uma pessoa que passou pela minha vida.

Draco: Seu primeiro romance, Conto Noturno da Princesa Borboleta”, era voltado para o público infanto-juvenil. Você considera “Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte” um romance para essa mesma faixa etária?

“Ball Jointed Alice” é dirigido a um público um pouco mais velho, e não só pelas cenas gráficas de sexo e violência. Mesmo que alguns personagens do “Conto Noturno” façam uma pequena participação em BJA, meu segundo romance aborda questões um pouco mais “urgentes” para o ser humano, como a morte e a perda, e por isso tem um olhar cuidadoso para o público adulto.

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