Terra Morta – relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “Encaixotando Natália”, de Gabriel Réquiem
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Terra Morta – relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “Mas livrai-nos do mal”, de Lidia Zuin

A leitura da bíblia era feita harmoniosamente, com algumas pausas em que a entonação do pároco crescia ao eco retumbante das trombetas apocalípticas. Nessas horas, os olhos castanhos do público se arregalavam ávidos em absorver algo que fosse além da audição. Entre as sílabas sagradas, os estalos dos folhetos ressoavam ao toque das mãos ásperas de enxadas, rastelos e demais ferramentas do cultivo da terra.

Escrevendo _Mas livrai-nos do mal_, de Lidia Zuin

Quando fui escrever um conto de zumbi, tema que não me é muito familiar, e que deveria se passar no estado de São Paulo, logo lembrei de um cenário incômodo – a zona rural. Isso porque nasci e cresci numa cidade pequena do interior de São Paulo, Porto Feliz. E apesar de ter uma considerável zona urbana, as pessoas mantêm o costume de ter chácaras e sítios e de visitá-los aos finais de semana. Meus pais faziam muito disso e eu detestava, principalmente quando dormíamos lá. Foi com essas imagens que criei meu conto “Mas livrai-nos do mal”.

A temática religiosa sempre me acompanhou justamente por causa dessa minha infância em Porto Feliz. Estudei numa escola de freiras da primeira à oitava série e tive aula de religião durante todos esses anos, além de ter feito catequese e crisma – ainda que não tenha crismado. A cidade toda gira em torno da praça da Matriz, a igreja Matriz, de Nossa Senhora Mãe dos Homens, e todos os dias eu ia ali, porque minha escola também ficava naquela região. Então, se no centro urbano já havia isso, além de todas as festividades, procissões e demais rituais, imagino as pessoas mais antigas, que moravam na periferia da cidade, na zona rural mesmo… sem eletricidade, sem acesso a nenhum tipo de tecnologia ou qualquer outra informação, parados no próprio tempo.

Foi assim que criei meus dois personagens, mãe e filho, resignados em sua fazenda após a morte do pai. A mãe é uma figura tão forte que subjuga o filho. É uma convivência hostil, quase como em Vidas Secas. E as coisas vão piorando conforme eles não se comunicam e cada um tem seu próprio universo – o dele assombrado, o dela onipotente. Até que ele explode em temor e as coisas vão se desenrolando.

Acho que é um conto aflitivo. Não é exatamente sobre zumbi, mas é também, se assim o leitor quiser entender. Há diferentes leituras que vão depender do estado de espírito de quem tem o texto em mãos. Mas me interessa muito mais falar sobre as relações humanas e desenvolver isso. Espero que o leitor consiga ter essa sensibilidade ao ler a história que, no fim, é uma somatória de medos: da mãe, do pai e do Espírito Santo.

Terra Morta: relatos de sobrevivência ao apocalipse zumbi

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