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Como eu escrevi “A Sombra da Colina do Rei”, por Diego Guerra

Duendes, do filme Labyrinth, 1986

“Dizem que, ao chegar aqui, os fundadores fizeram um pacto com criaturas da floresta para dividir ao meio aquelas terras. O povo antigo concordou, desde que pudessem escolher primeiro. Então eles entregaram aos conquistadores tudo o que era tocado pelo sol e nada além disso. É por isso que os pesadelos caminham pela noite.”

A inspiração para escrever meu conto da Antologia Duendes, veio de antigas lendas irlandesas sobre o povo das fadas que falavam sobre pessoas que eram abduzidas durante a noite e levados até as terras secretas do povo pequeno, participando de estranhos festejos, cujo sentido nem sempre era muito claro. A ideia sapateou na minha cabeça por um tempo, enquanto eu tentava encontrar uma forma de unir o sisudo Império com essas criaturas quase alegóricas, sem que elas destoassem do universo que eu estava criando. Era um equilíbrio bastante complicado – toda a fantasia que existe no Império é muito bem dosada para ficar no limiar entre o deslumbramento e o mundano, sem nunca pender para nenhum dos dois lados –, costumo andar na ponta dos dedos quando estou atravessando reinos mágicos, onde as criaturas fantásticas não são guiadas apenas por suas motivações biológicas e uma das formas que eu encontrei para moldar esse pedaço particular da história do Império foi conta-la através da voz de um outro personagem, moldada por suas superstições.

A Sombra da Colina do Rei foi escrita sobre um tempo remoto, nos primórdios da expansão de Karis, quando ainda não existia um Império e as fronteiras eram exploradas por colonos que precisavam lidar com os habitantes locais e suas superstições. Em minha mente eu procurava uma ambientação próxima aos primeiros colonos da América, que tentavam se fixar em uma terra que não os queria e precisavam conciliar suas crenças com todo um novo ecossistema ao seu redor. Foi para este ermo afastado das belas torres e elegantes bailes da capital que eu arrastei os irmãos Eris e Emmond Soromom, burocratas e carreiristas, guiados pelo orgulho, ganância, vaidade e uma lealdade feroz, que só irmãos conseguem ter um pelo outro.

Ao nosso redor existem lugares onde as histórias nos recomendam prudência. Casas assombradas, becos labirínticos, campos cheios de histórias. Na cidade grande muitas destas lendas foram substituídas pelo perigo físico de se encontrar com um homem qualquer (de longe o maior dos monstros), mas nos cantos mais afastados ainda existem histórias sobre fantasmas, lobisomens, sacis, alienígenas e – porquê não? – duendes. Foi para alertar o leitor que escrevi esse conto: é preciso evitar os círculos de pedra que coroam a colina, as pessoas que desobedecem esse aviso podem enlouquecer ou jamais voltar. Como a lenda de Eris e Emmond Soromom.

O pote de ouro pode ser seu!

O Reino Invisível sempre esteve perto de nós. Além dos círculos de pedra, no coração das florestas, em dimensões das quais nos separa uma frágil barreira, um povo muito antigo nos espreita com olhos cheios de paixão, curiosidade, sabedoria – mas também inveja e maldade. Seu universo é cruel e violento, repleto de traição, vingança e crianças roubadas. E basta um rápido olhar para os contos tradicionais para saber que os duendes não são as criaturinhas adoráveis que as versões modernas fazem parecer.

Você pode pisar num círculo de trevos ou cogumelos. Pode fiar uma meada de lã. Ou pode participar do novo projeto da Draco no Catarse. De qualquer jeito, prepare-se: uma vez que tenha entrado em seus domínios, os duendes não vão te largar, e você talvez só consiga voltar de lá daqui a muito tempo. Pelo menos o tempo que levar para ler este livro até o fim.

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