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Uma viagem à Idade Média

Ao longo de aproximadamente mil anos, desde a queda do Império Romano em 476 D.C. até o início da Idade Moderna, uma sucessão de acontecimentos fez girar a roda da História. Castelos e fortalezas se ergueram, cidades se multiplicaram, guerras sangrentas se alternaram com períodos de paz em que floresceram a ciência, a arte e a literatura. Migrações internas, invasões, expedições guerreiras e comerciais, o surgimento da imprensa e, por fim, as grandes navegações expandiram os limites do mundo, trazendo novas influências ao já riquíssimo imaginário medieval.

Boa parte do que conhecemos a esse respeito é o que ficou registrado nos livros da época. Havia obras de todo tipo, desde as de cunho mais prático até as mais variadas formas de narrativa literária, como as canções de gesta, os romances de cavalaria, os poemas trovadorescos, as sátiras e a literatura dita “de exemplo”. Tais narrativas eram, como se pode imaginar, fortemente marcadas pela visão cristã de mundo, mas ao mesmo tempo era frequente a menção a seres mágicos, fadas, bruxas e encantamentos. Em outras palavras: o fantástico se mesclava aos eventos do cotidiano. E, até que o racionalismo do século XVIII viesse refutar a crença no mundo sobrenatural, houve muito tempo para que essas histórias se difundissem e popularizassem, criando toda uma “atmosfera” e um elenco de personagens que hoje não hesitamos em reconhecer como parte do cenário pertencente ao período. É o caso, por exemplo, do Rei Arthur, tema da coletânea “Excalibur”, publicada em 2013 pela Editora Draco.

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O início do século XIX trouxe de volta o interesse dos escritores pela Idade Média, porém este se deu de acordo com a visão da época: um romantismo que tendia a suavizar o que houvesse de mais cru e violento na História e na sociedade medievais, transformando em heróis os cavaleiros (como Ivanhoé, de Walter Scott, publicado em 1820), os religiosos (Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano, 1844) e até os fora-da-lei (Robin Hood, de Howard Pyle, 1883). Muitas dessas obras são consideradas como literatura de aventura; algumas são classificadas simplesmente como romances históricos, como Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo (1831), enquanto outras, tais como Eric Brighteyes, de H. Rider Haggard, publicado em 1890, inscrevem-se no gênero fantástico, admitindo a presença do elemento sobrenatural.

De lá para cá, a ficção histórica medieval continuou a se desenvolver, assumindo os estilos condizentes com a época e o lugar. Do romantismo mais exacerbado até o realismo de autores como Bernard Cornwell, que retrata uma Idade Média suja e violenta, passando por nomes consagrados como Maurice Druon, Jean Plaidy e Ken Follett, há obras para todos os gostos. No entanto, a maior parte dessa ficção é realista, ao passo que as obras de fantasia tendem a ser ambientadas em mundos criados por seus autores e a se encaixar mais confortavelmente em gêneros como a espada & magia, a fantasia épica e a alta fantasia. Tal é o caso de O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, e de As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin, que vemos no topo de 9 em 10 listas de livros de fantasia medieval: ambas se passam em universos alternativos, embora com forte inspiração na Idade Média.

Naturalmente, seria um erro dizer que não há exceções à regra. The broken sword, de Poul Anderson, O décimo-terceiro guerreiro, de Michael Crichton, e a série nacional Tempos de sangue, de nosso organizador Eduardo Kasse, são apenas alguns exemplos de obras ambientadas na Europa medieval. Ainda assim, julgamos que a “verdadeira” Idade Média tem muito a oferecer como cenário para a fantasia – e foi então que decidimos organizar este livro, no qual todos os contos são ambientados em lugares do mundo real e se referem a eventos e personagens históricos.

Ao contrário de “Excalibur”, em que os autores foram convidados a escrever sobre a lenda arturiana em qualquer gênero especulativo, aqui pedimos que, na medida do possível, usassem elementos fantásticos ligados ao imaginário do local em que se passassem os contos. Alguns foram mais além e se inspiraram em narrativas da época para dar forma a seus textos. Foi o que fez Nikelen Witter em A dama negra e a donzela de palha, que busca inspiração nos encontros feéricos da literatura medieval, também encontrados nos lais de Maria de França e na literatura arturiana. Já em Erva daninha Melissa de Sá escolheu um tom confessional para a narrativa de Pierre, um jovem soldado a caminho das Cruzadas que tem seu destino selado ao se envolver com uma misteriosa dupla de pai e filha. A organizadora Ana Lúcia Merege, por sua vez, se inspira nos contos tradicionais do Oriente, em especial as 1001 noites, para narrar as aventuras de três muçulmanos do reino de Córdoba às voltas com um jinn, um tapete e um tratado conhecido como O grande livro do fogo.

A Península Ibérica é o cenário de outros dois contos: A clareira mágica, de Roberto de Sousa Causo, e Lenora dos Leões, de Helena Gomes. Ambos reconstituem episódios da história de Portugal e da Espanha e os utilizam como pano de fundo para as narrativas que se ocupam, respectivamente, do fidalgo Diogo Sardo – que entra em contato com a magia da floresta através de uma bela jovem – e de Lenora, que busca resgatar das sombras a alma de seu senhor, Pedro, rei de Castela, chamado o Cruel.  O último conto ambientado na Europa é Sacrifício, em que o organizador Eduardo Kasse narra com tintas realistas uma invasão viking, empreendida sob os vaticínios de um draugen, uma espécie de zumbi ou desmorto da tradição escandinava.

Tal como reconhecemos a influência de várias culturas na civilização europeia medieval, encontramos alguns paralelos entre esta e determinadas sociedades orientais, pelo menos em alguns períodos. Temos, assim, dois contos ambientados na China: A flor vermelha, de Karen Alvares, que se passa no século VII — quando a jovem combatente Pingyang ajudou a Dinastia Tang a assumir o poder –, e O desejo de Pungie, de André Zanki Cordenonsi, onde se narram as desventuras de um funcionário de origem mongol em meio à invasão de Beijing por Genghis Khan. Por fim, Kitsune, de Erick Santos Cardoso, se passa no Japão feudal e remete aos motivos tradicionais da honra e da redenção, numa narrativa repleta de imagens oníricas.

Ao ler Medieval, você empreenderá de uma só vez uma viagem no tempo e outra de volta ao mundo. Num tapete mágico, num drakkar, num corcel de batalha… ou simplesmente nas asas de sua imaginação.

Boa jornada!

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