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Escrevendo A Clareira Mágica, por Roberto de Sousa Causo

clareira-magicaA Clareira Mágica é resultado de um período muito fértil da minha carreira de autor de fantasia e ficção científica, embora fosse uma época do mercado literário brasileiro bem menos aberta para esses gêneros, do que hoje em dia.

Em meados da década de 1990 eu fazia a minha graduação na Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo, e costumava matar muita aula explorando os corredores da Biblioteca Central da FFLCH. Vasculhava jornais antigos em busca de velhas resenhas e artigos de ficção científica das décadas de 1950, 60, 70 e 80, e lia contos de Joyce Carol Oates e poemas de Thomas M. Disch em revistas acadêmicas americanas. Fora da faculdade, eu produzia fanzines já no ocaso dessas publicações, dentro de um fandom que fazia a transição para a Internet. Foi a época da “Fábrica de Fanzines do Causo”, quando eu editava os fanzines Papêra Uirandê Especial (recentemente ressuscitado), O Rhodaniano (para fãs de Perry Rhodan e space opera), The Brasuca Review (em inglês) e Borduna & Feitiçaria, este voltado para a fantasia em suas diversas expressões.

Eu já havia publicado meus contos “A Sombra dos Homens” e “Sangue no Grande Rio”, parte da Saga de Tajarê – aventuras de fantasia heroica em um Brasil pré-cabralino com expedições vikings e colônias atlantes em uma floresta amazônica tão mágica quanto a Terra Média de Tolkien –, na revista de RPG Dragão Brasil, e queria divulgar no fanzine isto que chamei de “borduna & feitiçaria”, versão tupiniquim da espada & magia ianque.

Também explorava no fanzine outras possibilidades de uma fantasia que investigasse estas e outras raízes do que é ser brasileiro. Uma alternativa estava na fantasia ibérica, tendo como obra pioneira o conto de Braulio Tavares, “História de Maldum, o Mensageiro”, de 1989, e o romance Memorial do Convento (1982), de José Saramago. Eu já havia escrito a fantasia ibérica “O Bebedor de Almas”, história que seria publicada no Brasil (inclusive na antologia internacional Crônicas de Espada e Magia, editada por Cesar Alcázar) e na França, mas nos corredores da biblioteca da Letras, encontrei, folheando um livro ilustrado sobre a história de Portugal, a inspiração para “A Clareira Mágica” – na crônica da Batalha de São Mamede (em 1128), que marca a origem de Portugal como nação independente dentro da Europa da Idade Média.

“A Clareira Mágica” narra as desventuras de Diego Sardo, um jovem que lutou com bravura nessa batalha e que se encontra abatido pelos ferimentos sofridos na luta – até que conhece Anabel, misteriosa rapariga que dá a ele um novo alento, fazendo-o enfrentar a depressão, e a intriga de D. Olivares, um rival que ambiciona as terras de sua família. Gostei de escrever esse conto por seu clima naturalista costurado com as sugestões de magia, a alternância despretensiosa das situações – e a oportunidade de explorar um momento de transformação pessoal, no fundo do episódio de transformação de uma nacionalidade.

O conto foi publicado em Borduna & Feitiçaria Nº 4, em setembro de 1996, e, reescrito e esmiuçado pela cuidadosa preparação de texto de Ana Lúcia Merege & Eduardo Kasse, tem sua primeira publicação profissional na antologia Medieval: Contos de uma Era Fantástica, editada pelos dois. Fico feliz e nostálgico com sua inclusão na antologia. Me dá muita vontade de retornar à fantasia ibérica no futuro…

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