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Império de Diamante – Relatos de Viagem à Myambe: Introdução

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Essa carta, primeira de uma série,  foi escrita por um historiador estrangeiro sobre sua viagem por Myambe.

À excelentíssima Exarca Sofia I e aos estimados sócios da Companhia Mercantil de Valmedor,

Conforme acordado em reunião anterior à minha partida de Valmedor, eu, Orban Kadosa, mestre de História da Grande Academia, parti em viagem através do Oceano dos Mil Deuses objetivando chegar ao continente de Myambe no intuito de colher informações na condição atual da região de forma a chegar a uma conclusão útil sobre possíveis alianças e conflitos que possam ser de valor para as cidades-estado e a Companhia.

Este relatório será dividido em partes para ser mais facilmente apreciado, de forma que esta primeira parte trará uma breve amostra do que encontrei em Myambe nestes três meses de viagens.

Estarei a sua disposição para tirar quaisquer dúvidas, e lembro que a Grande Academia está sempre aberta a todos, não apenas jovens estudantes e aprendizes. A presença de ilustres cidadãos como vossas senhorias seria muito bem-vinda, mesmo que rara.

Mapa

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Uma breve história

Como os senhores e senhoras certamente já sabem, a principal teoria evolucionista em voga nos salões da Grande Academia dita que a Humanidade originou-se em Myambe muitos mil anos atrás. Acredita-se que uma série de migrações em massa levou ao espalhamento da Humanidade pelo mundo e sua posterior divisão em povos de tamanhos, cores e aparências diferentes.

A primeira destas grandes migrações teria ocorrido muitos anos antes das primeiras civilizações através de pontes de gelo sazonais ligadas ao continente polar vulgarmente conhecido como Desolação até Akanisha e, posteriormente, os 11 Reinos; a segunda por meios marítimos, semeando vida pelas diversas ilhas do Oceano dos Mil Deuses e, finalmente, com o surgimento do Império de Diamante. Por motivos óbvios esta última tem importância particular neste relatório.

Informações detalhadas sobre o Império de Diamante, seu líder e os povos conquistados são de difícil acesso. Em poucas semanas de convivência com os nativos foi fácil identificar duas visões distintas sobre tudo, ambas forjadas. A história em Myambe é ditada pela religião, e as religiões do continente raramente comunicam-se pacificamente entre si.

O que sabemos é que tal Império surgiu entre dois mil e mil e quinhentos anos atrás na região mais ao norte de Myambe, onde antigamente ficavam os reinos de Maar e Almed. Durante este período inicial de conquistas, as famílias reais de ambos estes reinos foram forçados a deixar Myambe, eventualmente chegando à Akanisha e colonizando os povos primitivos da região.

Enquanto em Akanisha essas jovens civilizações eventualmente dariam origem ao Sacro Império Continental de Valmedor, em Myambe os mesmos bárbaros que expulsaram nossos ancestrais de Myambe expandiram, exterminando reinos e povos em seu caminho, tornando sobreviventes membros de seu chamado ‘povo escolhido’.

Neste momento o Império de Diamante ocupa praticamente toda Myambe, de Norte a Sul, dominando toda a costa Oriental. É limitado por desertos ao Nordeste, e montanhas ao Sudoeste, limitação esta que tende a ser temporária apenas, pois o povo crê em seu líder como um deus-vivo.

E este é o ponto mais crucial deste relatório: acredita-se que o atual líder do Império de Diamante é o mesmo que liderou exércitos contra nossos ancestrais talvez dois milênios atrás. Se for verdade, isso indica apenas uma coisa: trata-se de um Eterno, e nós em Akanisha compreendemos muito bem o que isso quer dizer.

Nos próximos relatórios tratarei das principais províncias do Império de Diamante, assim como os principais povos e regiões livres.

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Curiosidade local

Apesar das muitas culturas diferentes, Myambe possui alguns elementos curiosamente semelhantes entre seus povos. O mais interessante deles é em relação ao nome de um indivíduo.

Em Myambe a função ou título de uma pessoa é muito mais importante do que seu nome. De fato, para a maioria dos nativos o primeiro nome é como uma porta para males diversos. Uma pessoa de posse de seu primeiro nome é capaz de dá-lo aos Azanzi, entidades preternaturais associadas a divindades ou demônios capazes de atormentar ou até matar.

Durante minhas viagens a maioria dos nativos ficou surpreso quando ofereci meu nome, inicialmente concluindo que Orban seria um título. Os mais amigáveis alertaram-me a não divulgar meu nome, de forma que aceitei ser tratado apenas como Mestre durante o restante da viagem, se apenas para acalmar-lhes os ânimos.

Devido a este aspecto da sociedade local, é comum encontrar diversas pessoas chamadas pelo mesmo nome e em muitos casos títulos e profissões são hereditárias. Zaim Mamat, por exemplo, é tanto nome quanto título do governante atual da província imperial de Melkat, sendo Zaim o título de governador militar, e Mamat seu nome de família. Em sua morte, seu filho ou outro herdeiro perde o primeiro nome e torna-se Zaim Mamat. Curiosamente muitos serviçais e demais trabalhadores braçais trabalham anos para um mesmo senhor sem jamais terem seus nomes divulgados. E não é questão de desleixo ou conflito de classe como seria de se esperar, mas costume. Senhor algum ousaria perguntar o nome de uma pessoa a quem não é íntimo.

Uma exceção à regra tem-se visto na Costa Livre, onde o contato com estrangeiros é frequente e levou ao surgimento de nomes falsos para não confundir forasteiros (e confundir os Azanzi).

Conclusão

Myambe é um caldeirão cultural. Um caldeirão repleto de uma sopa apimentada que não é para todos os gostos. Usando essa referência, é como se o Império de Diamante viesse para eliminar ingredientes desta sopa. O resultado é discutível: enquanto torna tudo mais simples e coeso, arrisca tornar a sopa sem graça pela falta de variedade.

Se as conquistas do Império de Diamante levaram a formação dos reinos e impérios de Akanisha, a um oceano de distância, imagine que efeitos teve em seu próprio continente?

2 Comments

  1. Vagner Stefanello disse:

    Acho que seria bom colocar no começo do texto que pode ter spoilers do 1º livro (como a questão dos Eternos e tal), mas no mais gostei bastante, pode continuar que lerei todos os relatos!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/

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