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Samurais x Ninjas: Como escrevi Filha da Neve e os Sete Ninjas

O “estalo inicial” para esse conto surgiu depois de eu ter me proposto a participar da coletânea Samurais X Ninjas. Os organizadores tinham dito que gostariam de textos que tivessem a ver com a cultura pop, e isso me deu a ideia de fazer alguma coisa mais humorística, ou pelo menos bem leve, com uma pegada de desenho animado ao estilo da Pucca (ok, sei que ela é coreana, mas os ninjas estão lá).

Ao mesmo tempo, quem me conhece sabe como sou vidrada em contos baseados em pesquisa histórica, e as (poucas) coisas que conheço sobre a história japonesa começaram a pipocar. Uma delas se refere ao período que os portugueses passaram no Japão, conhecido como “namban” (entre 1543 e 1641), e que eu queria de alguma forma inserir nesse conto através de um ou mais personagens. Assim, o que poderia ser uma história atemporal acabou se situando num período levemente posterior ao namban, para pegar outra referência, que é o teatro kabuki. Este foi iniciado a partir de 1603 e se tornou uma arte exclusivamente masculina na década de 1620.

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A primeira ideia que eu tive foi a de um demônio escondido nos desenhos de um biombo namban, que seria desmascarado por um ninja cujo sonho era ser artista de kabuki. O sidekick seria um seminarista católico, e haveria uma “diva do kabuki” muito má – todos personagens mais ou menos estereotipados, pois esse era o tom que eu queria dar ao conto. O surgimento de mais dois ninjas atrapalhados me fez pensar que eles estavam parecendo os Anões da Branca de Neve, cada um com seu traço marcante e funcionando bem em conjunto… E aí de repente veio a epifania: por que não a Branca de Neve com sete ninjas? A dama do kabuki poderia ser a madrasta! E a ideia do namban? Ora… eu tinha mil maneiras de incorporar a referência!

Depois que decidi isso, tudo ficou mais rápido, já que o roteiro estava quase pronto. Só tive que criar a história pregressa, resolver quem seria o caçador, o que Yukiko (que significa Filha da Neve) comeria em lugar da maçã, quem seria o príncipe e, sobretudo, como seriam as personalidades dos Sete Ninjas. Não vou falar demoradamente sobre eles, mas seus nomes são Taro, Oni, Juchin, Sakura, Kagano, Genji e Gyoza – por aí já dá pra imaginar. Ao longo da escrita, a trama foi sugerindo e eu acrescentando elementos que não estão na história mais canônica da Branca de Neve, em especial um segundo vilão, este já não ligado ao kabuki e sim a outra forma de teatro, o bunraku.

O resultado final acabou sendo tão pastelão quanto eu queria, com referências fáceis de reconhecer mesmo para quem conhece muito superficialmente a cultura japonesa e uma ou outra que talvez só seja perceptível para os fãs de mangá e anime. A história da Branca de Neve, que já teve tantas versões, é a linha que amarra o texto onde se movimentam os meus (anti-)heróis, dos quais eu espero que os leitores possam gostar.

Quanto ao demônio do biombo namban – não pensem que me esqueci dele. Se tudo correr bem, haverá outras missões para os nossos sete bravos e honrados ninjas!

A arte que abre o post é da Marina Vasconcelos – facebook.com/marinavasconcelos.art?fref=ts.

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0 Comentários

  1. Cristiano Konno disse:

    Já conferi o conto, Ana L. Merege!

    Gostei muito, bem divertido! Parabéns!

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