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Por dentro de “O Baronato de Shoah”: Sintozoides – os anões de Nordara e sua cultura poliamor

sintozoides

Mais do que mineiradores em suas cavernas profundas, os anões de Nordara são uma sociedade sem fronteiras, nem barreiras. Abandonando a complexidade de corpos orgânicos, eles optaram por se tornar sintozoides e se isolarem do mundo da superfície.

Um dos primeiros livros que eu escrevi se chamava “Nove Reinos”, era uma história clássica de fantasia onde o grupo de heróis tinha de derrotar o “senhor do mal” após uma longa jornada pelo mundo e desbravando o lado sombrio de cada um destes reinos.

Era um clichê, um daqueles que a gente gosta de ler por usar os lugares comuns com certa técnica, mas não havia nada surpreendente nele: os elfos se isolavam na floresta, os anões viviam sob as montanhas, os humanos eram os senhores da terra e os halflings e gnomos viviam nas colinas. Ameaçando a todos estavam os “brumais”, uma espécie de “elfo sombrio, capaz de projetar névoa ao seu redor”. No fim das contas esse projeto nunca foi pra frente e eu acabei canibalizando partes dele para compor o mundo de Nordara.

A parte boa de afastar de um texto por um longo período de tempo é que ele soa estranho ao autor, tão estranho que há partes que eu leio e digo “nossa, eu escrevi isso?” ou então, “nossa, eu escrevi isso? Eca!”. De qualquer modo, como autor, revisitar textos antigos é legal para você ter uma noção de como evoluiu e do que aprendeu ao longo de seus textos.

Os anões de Nordara são um desses casos de evolução e canibalismo que deu certo. Ah, sim, canibalismo literário, para mim, é o ato de retirar ideias ou partes de antigos textos e usá-los em textos novos, aplicando novas ideias e refinando-as.

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Em sua superfície Nordara é um conglomerado de reinos gigantescos com ideologias imperialistas que mantêm a paz entre si através de tratados delicados e alianças de ocasião. O Quinto Império, Kuronaya, Hissarlik e Latakia não se atacam mutuamente por saberem que o sobrevivente de uma guerra entre dois lados seria atacado por seus aliados mais tarde. Ulan Bator é uma terra condenada de escravos e amaldiçoados, enquanto Oranyam se mantém afastada o suficiente para não sofrer interferências diretas.

Debaixo disso tudo há outro conglomerado de reinos, que também sofreu suas próprias guerras e maquinações políticas: o reino dos anões, trolls, elfos sombrios e demais criaturas dos subterrâneos.

Embaixo do continente de Nordara há galerias imensas, passagens, túneis e, até mesmo, lagos do tamanho de oceanos, que escondem um segundo mundo, que evolui em paralelo com a superfície. Nesse segundo continente, chamado Agarata por seus habitantes, a evolução se deu de maneira um pouco diferente.

Anos atrás Agarata possuía rotas e acordos com Nordara, trazendo vantagens para ambos os continentes. Seus moradores menos selvagens, os anões, trolls, devahs, illithids e elfos do subterrâneos (que vamos chamar de drows, para simplificar) tinham erguido seus reinos e se especializado em artes que, até então, eram alienígenas ao povo da superfície. Grande parte da evolução humanoide se deu graças à interferência destes seres e sua paciência em ensinar.

Entretanto, os Titãs da superfície enlouqueceram (não posso contar muito, seria spoiler de O Baronato de Shoah) e acabaram erguendo seus reinos através da escravidão, guerra e massacres sem fim. Os povos do subterrâneo tentaram ajudar, mas os Titãs eram poderosos demais e um exército, liderado por Desdalain e seus brumais quase destruiu Agarata.

Como única chance de sobrevivência os agaratianos convocaram seu povo ao subterrâneo e fecharam todas as passagens para o seu continente, impedindo novos ataques. O que os regentes de Agarata não sabiam é que uma Titã havia descido ao subterrâneo e espalhado suas crias por Agarata. Equidna, a mãe de todos os monstros, tornava-se um problema exclusivo dos mundos inferiores.

Não contente em apenas liberar seus filhos, Equidna eliminou de forma estratégica as duas forças mais poderosas de Agarata, os illithid, humanoides psiônicos com cabeça de polvo, que eram extremamente inteligente e racionais; e os trolls, nascidos das pedras do subterrâneo e detentores da sabedoria divina. Nessa época os drows se fecharam em suas florestas pétreas e os anões decidiram se trancafiar cada vez mais em seus reinos.

O Ritual de Renúncia

Há poucos registros dessa época de transição, mas, sem contato com os outros povos e sem ter como produzir comida, os anões foram exterminados pela fome e por doenças. Surgiu, então, Ammspeir, um de seus mais sábios e corajosos clérigos, que os convocou para um referendo: Ammspeir garantia que, através de um antigo ritual, a raça anã poderia abandonar seus corpos físicos e tornar-se uma mistura entre as pedras das montanhas e as máquinas que construíam. O Ritual de Renúncia daria chance ao povo de sobreviver e se reerguer como uma nova raça, capaz de assimilar formas mecanoides, sem perder parte de seus sentimentos, empatia e mente.

O referendo foi aprovado por boa parte da população e Ammspeir convocou os deuses das profundezas e da escuridão para iniciar o ritual. Leais e severos, os deuses cumpriram sua promessa e fizeram os anões dormirem por um ano enquanto seus corpos eram lapidados em pedras preciosas e unidos ao seu maquinário engenhosos. Morriam os corpos orgânicos, nasciam os sintozoides.

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Sindozoides – os anões de Nordara

Os anões de Agarata são seres que medem entre um metro e vinte e um metro e cinquenta, são robustos como touros, têm um humor grosseiro de búfalo e a resistência das pedras. Seus corpos são feitos de pedras preciosas, que variam conforme a região de seu nascimento e seus cabelos variam em cor e composição. Os anões ainda se dividem entre macho e fêmea, mais por uma questão de tradição que fisiológica. Anões machos costumam cultivar barbas, cavanhaques ou bigodes; anãs fêmeas cultivam longas cabeleiras adornadas com peças orgânicas, como penas, garras de animais ou despojos de caçada.

Anões sentem menos dor que seres orgânicos, por isso é comum entre eles amputar membros e trocá-los por ferramentas necessárias à sobrevivência: mãos que desencaixam e dão lugar a picaretas, pernas que podem ter rodas atreladas aos calcanhares, bustos femininos que servem como cantil para cerveja (uma das tradições que jamais foi perdida), olhos que desencaixam para dar lugar a lanternas. A engenhosidade física dos anões é espetacular.

Apesar de sua dualidade sexual “macho e fêmea”, os anões não se reproduzem sexualmente desde sua recriação. Quando um anão decide ter uma cria ele chama seu parceiro (que pode ser do mesmo “sexo”, sem problema social algum) e ambos vão atrás do que eles chamam de “pedra da vida”, uma pedra preciosa de tamanho suficiente para lapidar um filhote de anão. Ambos os envolvidos trabalham dia e noite, durante nove meses, na “gestação e lapidação” desta pedra, adicionando a ela conceitos, ideias, tradições e valores que possuem. Também não é difícil encontrar anões poliamorosos, ou seja, aqueles que “lapidam” seus filhotes com mais de um parceiro e criam os famosos “clãs”. Os clãs são uma das maneiras mais seguras de se viver em Agarata, uma vez que o ataque de monstros ainda é constante e Equidna não foi derrotada.

O nascimento dos anões se dá através de uma versão menor do Ritual da Renúncia: um dos anões envolvidos no processo de lapidação invoca os deuses quando seu clã decide gerar uma nova vida, esse anão vai ser “entusiasmado” , ou seja, tomado pelos deuses, e uma fagulha divina vai viver em seu corpo durante estes nove meses, até que seu corpo esteja pronto. Quando a lapidação está completa esta fagulha é magicamente transportada para o corpo, que recebe a vida em uma explosão de gritos, choros e convulsões. O fim do processo de lapidação causa um esgotamento horrível nos envolvidos, por isso, apesar do poliamor dos anões ser muito comum, por uma questão de proteção, nem todos os anões do clã se envolvem na lapidação de um novo ser.

Por sua assexualidade biológica os anões são uma sociedade igualitária, que desaprendeu conceitos de misoginia, misandria e machismo. Para os anões não há motivos para um gênero se sentir superior ao outro, uma vez que seus corpos se tornaram adaptáveis a qualquer gênero. Seus deuses também são figuras andróginas que representam os valores da raça: coragem, amor, evolução. Ainda que tenham desistido de suas funções orgânicas, os anões pediram aos deuses para manter uma única tradição de sua ancestralidade: a cerveja. Anões são degustadores assíduos de cerveja e alguns de seus clãs são especialistas em procurar ingredientes nas profundezas para produzir as melhores delas.

O despertar

Os anões despertaram há pouco tempo, mais ou menos na época em que Shoah e seus Seguidores derrotaram os Titãs. Os teóricos da raça acreditam que o choque do aprisionamento dos Titãs foi o que acordou a raça. Eles ainda não se sentem confortáveis para voltar ao mundo da superfície, apesar de organizarem excursões de tempos em tempos para saber como as coisas estão em Nordara.

A raça anã não possui inimigos naturais, na verdade, eles não sabem o que aconteceu com os outros povos de Agarata, exceto pelos Trolls. Os poucos trolls que sobreviveram ao Holocausto, a caçada promovida por Equina, isolaram-se no reino dos anões, Draha, e cuidaram de seus corpos enquanto os deuses os transformavam. Por este motivo os trolls são muito amados e respeitados pelos anões, que os veem como mentores. Além disso, há a similaridade física entre ambas as raças, que tornam suas relações de parentesco a algo bem próximo a “primos”.

O que os anões buscam atualmente? Sobreviver, aprender com os trolls e resgatar o contato com os reinos do subterrâneo: Taenarum, Coril, Nelgahlagh, Enify, Înser, Henryl, Vênus e Troyka.

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