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Monstros Gigantes — Kaiju: Como escrevi “O último café”

Eu queria uma cidade destruída, mas não queria mostrar sua destruição.

Gosto do cenário dos escombros: esse cenário de civilização em ruínas, do fim dos empreendimentos humanos, da impressão de que não resta mais nada a ser feito. Inscrevi dois contos para a coletânea, os dois com o mesmo cenário da metrópole aos pedaços. Este foi o primeiro.

O último café se passa nos escombros da metrópole fictícia de São Clemente, na qual uma única construção se mantém de pé entre os escombros: um pequeno café-lanchonete a la Starbucks, no qual o dono entra todos os dias para manter sua rotina no estabelecimento vazio, como se nada houvesse mudado ao seu redor. São Clemente foi destruída pelas Bestas, que há muito surgiram do nada, destruíram as grandes cidades e desapareceram tão subitamente quanto vieram.

Por um lado, achei que seria clichê demais se eu simplesmente pegasse o monstro e o colocasse para destruir a cidade. Claro que há mil maneiras de deixar isso interessante e fugir das convenções, mas não era para mim, não era o que me atiçava. Ao mesmo tempo, com o cenário já destruído, a opção de uma história de sobrevivência ficaria muito reminiscente do pós-apocalíptico para meu gosto, que também não era a minha ideia para um conto mais curto.

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Então, pensei, que tal adicionar umas camadas de estranheza em tudo isso?

Minha primeira ideia foi escrever uma história, mesmo, durante a destruição. Enquanto monstros gigantes botavam a cidade abaixo, duas pessoas conversariam tranquilamente em um café, observando a tormenta pelas janelas, sem perturbar-se, sem se abstrair de suas conversas levianas. Mas não consegui pensar em como sustentar a conversa e a história, então tirei as pessoas, mas deixei o café, tirei a destruição, mas deixei os escombros.

O dono do café cuida para que tudo se mantenha em um ótimo estado de conservação. As lâmpadas são trocadas regularmente, o chão se varre todos os dias, o balcão não acumula nenhuma camada de poeira. É com esmero que o proprietário mantém o seu ambiente como sempre foi, mesmo conseguindo tão poucos consumidores agora. Podemos vê-lo, sentado em uma das cabines, espreguiçando-se no acolchoado vermelho-escuro. É verdade que ainda não está na hora de abrir as portas. Olhando assim, até parece que nada demais aconteceu do outro lado.

O resultado é um conto mais descritivo, de pouca ação, mas narrando uma situação. Gosto da ideia deste que se agarra ao status quo, mantendo-se inalterado mesmo quando o mundo todo dramaticamente se altera ao seu redor. Quando começam a aparecer os primeiros visitantes em algum tempo no último café de São Clemente, no entanto, talvez esteja finalmente na hora de receber em sua vida algumas novidades.

Se ficou bom, é o que espero saber de vocês. Boa leitura e divirtam-se!

A foto que abre o post é de Jordy Meow, distribuída sob a licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported.

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