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Monstros Gigantes – Kaiju: Como escrevi “O último caçador branco”

Órion Megaton calibrava o sistema de mira. Surpreendia o quão meramente óptico era aquele sistema, dado sua complexidade. Em um mundo em desvantagem, trabalhava-se com o que tinha à mão.

 

Na verdade, gostava da Unidade de Caça 35. Não era a mais poderosa que construíra, nem de longe – posto da saudosa e mítica 21, munida com o melhor que a indústria do norte pudera fornecer, em termos de sistemas de armas, mira, suporte e manutenção. A 35 era, sob certos aspectos, artesanal, como demonstrava o sistema de lentes e prismas da mira. Não havia exatamente onde encontrar esse equipamento hoje em dia, pois se as indústrias especializadas haviam revertido em artesãos, estes se tornavam cada vez mais raros.

 

A imagem se estabilizou na mira de seu olho bom. Sempre tivera a visão 20/20, mesmo na idade avançada. O olho que não o impedia de fazer o que sabia fazer melhor.

 

– Filho da puta… – Murmurou, um sorriso feroz. Não se importava que o microfone estivesse aberto. – Te achei, filho da puta.

 

Atrás das ruínas do prédio, algo quase do mesmo tamanho se movia. Não sabia o que era, e nem se importava. Apenas esperava que saísse de lá, no alcance da mira. Pacientemente. Ou ao menos, assim seria em condições ideais.

Foi uma história até engraçada, acho que no final das contas, realizo sob pressão.

Havíamos recebido já os contos e percebi: poxa, não há nenhum envolvendo robôs gigantes que nos agradasse. Comentei isto com o Ribas – estamos sem contos envolvendo robôs gigantes – e ele concordou. “Escreve um aí.” Perguntei, “por que você não escreve?” “Ah, isso tem mais a sua cara.” E ele já vinha com os dilemas do bom Doutor O., e eu de fato não tinha pensado em nada que me agradasse. Em seguida comentei com nosso editor, Erick Sama, e entre outras coisas, ele disse, “Que absurdo! Como assim, não tem robôs gigantes numa antologia de kaijus?! Escreva um!” Olhei para aquilo e perguntei, “Você falou com o Ribas?”

Não falara.

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Bem, mãos à obra. Naquela mesma tarde, de estalo pensei no que se tornou a primeira parte do conto, com a apresentação do personagem e a situação do mundo com a caçada do kaiju que assola Porto Príncipe, apresentei o texto e eles gostaram. Faltava desenvolver.

Mas já sabia como seria o personagem: pensei em um caçador do Século XIX, um daqueles tipos ingleses, meio exploradores também (quem acompanha a ótima “Penny Dreadful” deve se lembrar de Sir Malcolm Murray), que coleciona armas e troféus de caça. Tipos mandões, que ocupam o recinto por onde entram, em geral são o centro das atenções, invariavelmente se acham certos e dão ordens para todo mundo como modo básico de inter-relações pessoais. Têm uma equipe multiétnica que o assiste, composta de pessoas de diferentes culturas por onde ele passou em suas aventuras. O nome, Órion Megaton, veio automaticamente junto com aquele primeiro texto, e gostei apesar, ou por causa, do absurdo que ele é.  Órion, o caçador do mito grego, e megaton, usado como medida de explosões nucleares… considerando que ele caça com mekas, talvez faça sentido… algum sentido.

Pensei em um mundo daqui a uns vinte-trinta anos, mas que desde o início do século vinha sofrendo de furacões, tsunamis e terremotos históricos, porém provocados pela aparição de kaijus. A civilização começou a degringolar, e Órion – que também tinha no ADN referencial um Tony Stark da vida – começou a ganhar a vida projetando robôs gigantes para combatê-los. Mas a sorte, até então, não estava nem do lado do protagonista, nem da Humanidade, e ele vive, no momento do conto, uma espécie de ocaso de seus anos – já tem cabelos brancos –, meio nostálgico de quando estava realmente por cima da carne seca e colecionando troféus e vitórias.

Houve a necessidade de pesquisar, apesar de essencialmente ser um simples conto de robôs gigantes e kaijus: São Google muito me ajudou, viva o Google Maps… 🙂 E ainda, questões envolvendo artilharia, armamentos, detalhes aqui ou ali que, se não estão nas páginas, seria bom se eu soubesse de antemão.

Os nomes dos tipos de kaiju são junções de nomes de animais em japonês, da mesma forma que “Gojira” vem da junção das palavras existentes em japonês gorira (gorila) + kujira (baleia). Acrescentei “daí-“ (grande) à frente, e pronto.

O resultado está em “O último caçador branco”. Espero que gostem!

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