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As origens de Shoah

Poemas de amor, amizade, longas conversas e pouco steampunk foram os elementos iniciais da saga O Baronato de Shoah.

 

Mas teve steampunk sim, bem depois. Muito depois.

ilustraKadriatus_texture Kadriatus Drachenfels por Daniele “Dandi” (portfólio http://piratadandi.wix.com/dandi#!portfolio/cxrq)

É um fato comum que em todas as entrevistas e podcasts que eu apareço as pessoas me perguntem “Qual foi a origem do Baronato de Shoah?”, no geral eu preciso responder de forma sucinta e rápida para não tomar todo o tempo do programa ou páginas da entrevista. Mas, fazendo uma breve pausa nos posts aqui da editora sobre o mundo de Nordara, eu vou contar um pouquinho mais sobre o processo de criação do livro em si e das escolhas que me levaram até a roteirização e planejamento de O Baronato de Shoah.

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Em sua essência a origem de O Baronato de Shoah é uma história de romance, criatividade e amizade que se tornou amor. Pois é, romance romântico, com direito a declaração, paixão verdadeira e sacrifício.

Nada de pedras, ok? Ótimo, pessoinhas civilizadas.

Como vocês sabem eu sou formado em Letras, pela Universidade Mackenzie, na faculdade eu tive meu primeiro encontro com a Mayara (@mayidea no Twitter), que atualmente é minha agente literária e esposa. Na época da faculdade nós éramos muito amigos e nunca havia rolado nada entre a gente, até ali os penúltimos semestres. Nessa época, mais ou menos, eu resolvi desenterrar meus cadernos de escrita, olhar antigos trabalhos e poemas e enviar para ela dar uma espiada. Não eram os melhores do mundo, mas serviam para impressionar garotas.

O tempo passou e nós começamos a namorar, os poemas continuaram (tornando-se exclusivos para ela) e eu fui estudar teoria da literatura, medievalismo e narrativas, que eram os aspectos da faculdade que mais me interessavam. Depois de um tempo os poemas diminuíram até, finalmente, cessarem, não lembro se era falta de tempo ou inspiração. Até que um dia ela veio me cobrar um poema exclusivo, algo que fosse só para ela.

Na época eu escrevia para o pessoal do NEXUS RPG e estava em processo de criação do meu cenário de fantasia medieval, o Taenarum, sem pensar muito em poemas, mas mesmo assim eu tentei escrever algo, passei a madrugada inteira rabiscando e o que tive lá pelas quatro da manhã era um conto de um soldado que chegava em uma cidade abandonada e encontrava um cocheiro-fantasma. ( se você leu O Baronato de Shoah, sim, eu estou falando do capítulo em que a Minerva aparece).

No dia seguinte eu avisei que não consegui escrever o bendito poema, então eu enviaria à noite. E aqui, parceiro, missão dada é missão cumprida.

Mentira. Mentira deslavada. Mentira tão feia que os deuses trapaceiros devem estar rindo da frase acima desde que digitei o ponto final.

Na noite seguinte eu escrevi outro conto, a história de um soldado que chegava em uma cidade onde todos haviam sido transformados em pedra por uma medusa robótica.

Lá vamos nós de novo: se você leu O Baronato de Shoah, este é o capítulo em que a medusa aparece, mas, naquela época, o protagonista era o Kadriatus, não o Sehn, o grande inimigo era a Corporação HADES, que criara uma máquina chamada Equidna, que produzia monstros robôs para dominar Nordara.

O steampunk não existia nessa época, ele era um elemento que eu não conhecia e que passou despercebido nas primeiras versões do livro. Na verdade, quem primeiro falou que O Baronato de Shoah era steampunk foi o Karl, do Conselho Steampunk de São Paulo e o Raul Cândido. Ambos me apresentaram livros, imagens e cultura, o que me fez ir atrás de outras obras, como a Vaporpunk da Editora Draco.

Resumo da ópera: o poema nunca saiu do plano das ideias.

Mas, e coloquem um gigantesco “Mas” nesse começo de sentença, eu percebi algo interessante: com algumas adaptações os contos poderiam ser encaixados e formar uma história maior. Na verdade, a primeira versão de O Baronato de Shoah começavam com estes dois contos e voltava para as memórias do Sehn em sua época de Cenóbio, falando com os pais, ajudando Edgar e formando a Canção do Silêncio, só que na versão final nós decidimos colocar os fatos em ordem cronológica e dar ao livro um aspecto mais centralizado e fluente.

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Planejamento faz a diferença na hora de escrever, torna sua obra mais profissional, te faz perder menos tempo e dá coerência aos seus trabalhos.

Certa noite a Mayara veio dormir na minha casa e a gente passou a noite conversando sobre o mundo de Nordara (eu sei o que vocês estão pensando…), nós fizemos um roteiro e planejamento de todos os 5 livros da série, incluindo os contos, romances ambientados fora do Quinto Império, conceitos religiosos, Kabalah e,até mesmo, orixás e vampiros.

A parte bacana desta noite é que ela serviu para corrigir problemas, alterar pontos do universo, centralizar a história e dar aos livros um aspecto profissional, juntando seus elementos de forma que o leitor perceba que eles foram discutidos antes e que não são “pensados e jogados no livro”. Isso me deu a chance, também, de enxergar melhor para onde eu queria ir nas minhas histórias e do que a saga da Canção do Silêncio significava no mundo de Nordara, pois, uma vez que eles eram apenas parte da história do mundo, eles precisariam de um pano de fundo que lhes desse verossimilhança e não fosse apenas decoração.

A saga, diferente do romance único, precisa ser vista como um todo, um projeto editorial que pode levar anos para ficar pronto e deve ser criada em bases sólidas e bem constituídas.

Se a sua saga é criada pensando cada livro isoladamente fica muito fácil cometer erros e incongruências. Por outro lado, pensar nela como um projeto de longo prazo, criando roteiros e caminhos para guia-lo em sua produção facilita o trabalho e te dá a oportunidade de fortalecer seus conhecimentos e guiar seus escritos, mesmo nas horas mais difíceis e os bloqueios criativos.

Quer um exemplo? Quando eu comecei “O Baronato de Shoah – A Máquina do Mundo” eu já sabia o destino dos personagens e o que suas ações em “A Canção do Silêncio” trariam para o cenário. Mas isso não bloqueou meu processo criativo, muito pelo contrário, por saber onde queria chegar eu pude alterar com facilidade elementos no meio do livro e torná-los mais elaborados para a trama e, mesmo o menor dos detalhes, mesmo aqueles que parecem insignificantes, já estão programados para reaparecerem nos outros três livros da saga

Esta é a origem do “Baronato de Shoah”. Espero que tenham gostado.
E a dedicatória, agora, faz todo sentido, né?

PARA MAYARA,
A VERDADEIRA MAYA,
VOCÊ ME PEDIU UM POEMA
EU TE DOU UM MUNDO.

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