Fabiana Madruga fala sobre seu novo romance "Clube dos Herdeiros: como nossos pais"
fevereiro 25, 2015
O bonito e o amedrontador
março 3, 2015

Contos da Série Tempos de Sangue: antigos imortais

contos-tds

O que devo fazer para enriquecer a série e trazer mais histórias para os leitores? Como contar mais sobre a “vida” de personagens coadjuvantes nos livros?

Foram essas duas perguntas que me motivaram a escrever contos da Série Tempos de Sangue. Nessa primeira leva, trarei os antigos imortais, os anciãos milenares, poderosos, cuja história se funde à dos seus locais de nascimento.

Já tenho rascunhados os briefings de pelo menos 10 imortais e, assim que finalizar o 4º livro da série – os escritos estão indo muito bem, obrigado 🙂 – irei dar vida a eles. Mas voltemos ao presente.

Baixe agora mesmo Amazon | Kobo | Apple | Cultura | Saraiva | Google

O primeiro conto que escrevi narrando a vida de um antigo imortal foi o Sobre guerras e deuses:

Houve um tempo em que os homens acreditavam nos deuses e clamavam por vingança contra os invasores. E, naquela noite, um halo vermelho envolveu a Lua e os guerreiros da Britannia ganharam novo ânimo, guiados por uma Rainha celta. E a história foi escrita com espadas, lanças, escudos e presas.

Nele apresento Buddug, a Rainha dos Icenos, que após a morte do marido tomou para si a responsabilidade de comandar tribos celtas contra os romanos. Como todas as mulheres da Tempos de Sangue, ela é forte, perspicaz e obstinada.

Uma deusa andava novamente entre os homens, como já havia acontecido quando a ilha era jovem e os grandes carvalhos ainda não tinham despontado na terra.

Uma deusa banhada de sangue.

Esse conto, além de ter se tornado um e-book da Contos do Dragão, foi publicado na Coletânea Imaginários – contos de fantasia, ficção científica e terror vol. 5. Desde então ele tem tido ótima aceitação, repercussão e boas resenhas.

Na terra dos filósofos e dos navegadores

Baixe agora mesmo: Amazon | Apple

O segundo conto com um imortal ancião é o Ao som de uma canção de amor você sangrava:

O que você daria para ser imortal? Diodoros, o ateniense, nascido na Grécia antiga, sempre foi cobiçado por homens e mulheres durante a sua curta vida mortal. E quando alcançou a eternidade passou a ser venerado como um deus. Um deus das trevas.

Escrever o Diodoros foi um gostoso desafio, pois sua personalidade difere bastante dos meus outros imortais. Paro por aqui para não dar spoilers. Mas deixo um trechinho para matar a curiosidade.

Entreguei-me de corpo e alma à esbórnia. Queria provar e provocar cada vez mais homens e mulheres. E esse ritmo desregrado apressou o meu fim. Talvez eu durasse mais uns anos, quem sabe, com sorte, até mesmo uma década.

 Preferi viver intensamente a me fadar às regras e privações do tratamento. Monotonia nunca foi uma escolha para mim. Eu tinha dor, escolhi aplacá-la com vinho e com o prazer proporcionado por cada amante. Mesmo quando não conseguia desfrutar do momento, eu fingia. Ah, e que ator eu era! Ri da morte, mesmo estando em seus braços. Afinal, quem quer viver para sempre?

 Que ironia!

Na terra do sol nascente, ou melhor, poente!

Baixe agora mesmo: Amazon | Apple

Escrever um imortal bebedor de sangue japonês também foi um desafio. O raciocínio, as motivações, o estilo de vida diferem muito daquilo que vemos no ocidente. Mas quem não se desafia não evolui, então escrevi O último sol poente:

Em uma época em que os filhos dos Deuses guerreavam pela disputa do trono de Yamato – que viria a ser conhecido como o Japão –, um sábio conselheiro do imperador Jimmu, descendente de Amaterasu, Deusa do Sol, abraça as trevas e conquista a imortalidade.

Ame no Taneko no Mikoto, foi amigo desde os tempos de criança de Kamuyamato Iwarebiko, que viria a ser o primeiro imperador do Japão, descendente da Deusa do Sol. Cresceram juntos, lutaram juntos, sofreram muito e conquistaram vitórias. Eram inseparáveis e leais. Até o último sol poente.

O filho da Lua não será venerado como os filhos do Sol. O Sol traz vida, a Lua, morte. O Sol traz esperança, a Lua, receios. Mas essa é a natureza da criação. Os contrapontos: claro e escuro, Luz e Trevas, esperança e descrença. Só há equilíbrio quando há forças opostas. Para existir o bem, é preciso que se conheça o mal. Para conseguir o alívio, antes é preciso sentir dor.

É isso! Obrigado por acompanhar essa jornada pelos milênios.

Até mais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *