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[Top 5] Ivan Mizanzuk

Ivan Mizanzuk é professor universitário (e)Ditador do podcast Anticast – anticast.com.br e agora autor da Draco!

Veja o Top 5 que ele preparou com referências importantes no processo de criação de Até o Fim da Queda:

Citar cinco obras que influenciaram sua escrita é sempre uma sacanagem. Sei que “reclamar” disso é senso comum, mas é sério. É como escolher os filhos prediletos numa família de centenas. Mas enfim, vou tentar trapacear no jogo um pouco e mostrar ora autores, ora obras, ora conceitos. Quem sabe assim eu consiga dormir à noite sem muita culpa.

Começo com uma confissão: sempre quis escrever terror e fantasia, mas minha “escola” literária é mais “convencional”. Claro, sempre li ficção científica e fantasia desde criança. Mas quando comecei a levar a sério esse lance de escrever, eu estava longe dessa praia. Hoje, misturo tudo o que posso. Segue aí a lista:

1. Dalton Trevisan

dalton-trevisan-o-vampiro-de-curitiba

Talvez o contista mais famoso do Brasil, o “Vampiro de Curitiba” me encanta por duas coisas: primeiro por ser essa figura misteriosa pela cidade. Nunca dá entrevistas, odeia ser abordado na rua, não tira fotos. Absolutamente recluso. Todo mundo que curte sua obra sabe onde ele mora (eu passo por lá todo dia, sempre tentando ver se ele aparece pela janela), mas nunca ninguém o vê. Eu tenho um autógrafo dele que consegui pelo único meio de comunicação disponível: deixar uma carta numa livraria que ele frequenta diariamente em Curitiba, pedindo pela assinatura. Anos atrás, consegui. Essa aura de mistério em torno de sua figura me fascina.

Em segundo lugar, seu estilo único e seco. Quando se lê uma frase do Dalton, você sabe que é Dalton. Econômico até o último em suas palavras. Como poucos, ele mostra a importância do conceito de “lapidar” uma frase até que toda palavra ali seja absolutamente necessária. Não sobra nada na sua obra. Não há excessos. É primoroso.

2. Neil Gaiman

gaiman

Citar esse britânico como influência já é outro lugar comum, mas não há como fugir. Ele é demais. Devorei Sandman quando pude, li todos os seus livros (muitas vezes ouvindo-o narrar – recomendo a experiência) e me encanta como ele transforma coisas tão complicadas (como o Sonho, a Morte e Deuses) em conceitos mágicos.

3. Aleister Crowley

crowley

Fiz meu mestrado em Ciências da Religião, na PUC-SP, sobre Crowley. Este mago inglês do início do século XX é uma das figuras mais fascinantes que já tive o prazer de estudar e ler. Chamava-me a atenção o fato de que ele havia sido o fundador de uma nova religião (Thelema), ao mesmo tempo que se intitulava “A Grande Besta do Apocalipse”. Isso me levou a realizar uma pesquisa sobre seus conceitos de Ética e Moral. Seus conceitos de magia, religião e estudos em ocultismo são enormes influências no meu trabalho. Quem o conhece certamente verá isso bem claro no meu livro, “Até o Fim da Queda”.

4. O conceito de “Obra-Maldita-Que-Te-Deixa-Louco”.

necromicon

Este conceito de um livro/filme/música/frase que enlouquece seu receptor sempre me encantou. Aqui é a minha trapaça, já que são vários os autores que utilizam esse conceito. O “Necronomicon”, na obra de Lovecraft, é um deles.

A peça “O Rei de Amarelo” de Chambers é outra. E, aqui, uma trapaça dentro da trapaça: adorei a primeira temporada de True Detective, que me levou a conhecer autores como Thomas Ligotti e Eugene Thacker, além de aprofundar-me em outros já conhecidos, como os filósofos Albert Camus, Ernest Becker e Emil Cioran. Toda essa noção de que a consciência humana foi um erro da evolução (já que nos leva ao desespero por conta da falta de sentido da vida e o medo da morte) é muito presente em várias coisas que já escrevi. “Até o Fim da Queda” levanta muitas dessas questões morais e existenciais.

Outras obras que devem ser mencionadas seriam “Cantiga de Ninar”, de Chuck Palahniuk, e “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, de Lourenço Mutarelli (que, ao lado de Daniel Galera e Joca Terron, figura entre os meus top escritores brasileiros contemporâneos prediletos). As cartas que o personagem Júnior recebe anonimamente, com frases desconexas que o vão enlouquecendo, quase me enlouqueceram junto com o protagonista.

Não posso deixar de citar toda a mística em torno de livros como “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe (a onda de suicídios que gerou entre jovens na Europa, no século XIX, que se inspiravam no protagonista) e “O Apanhador no Campo de Centeio” de Salinger (quantos assassinos famosos não estavam de posse desse livro quanto mataram alguém?). Muitas vezes, as lendas em torno do livro acabam tornando-o mais espetacular do que já merece ser.

5. “O Mez da Grippe”, de Valêncio Xavier

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De todos os autores citados, este paulista adotado por Curitiba figura como meu tesouro escondido. Conheci sua obra em 2008, por conta das menções que o Lourenço Mutarelli fazia dele em suas obras (dizia na época que era uma das suas maiores influências). Valêncio era jornalista e cineasta e isso fica claro em sua obra. Suas narrativas são um misto de textos e imagens, que criam uma narrativa típica da 7ª arte com pitadas jornalísticas. As figuras utilizadas nunca funcionam meramente como ilustrações: elas possuem vida própria, potências narrativas individuais. Os segredos para muitas de suas histórias estão nas imagens. O gostoso de sua obra é desvendar seus significados e relações. “O Mez da Grippe”, que narra o surto de gripe espanhola que assolou o país inteiro no início do século XX ao mesmo tempo em que havia uma Guerra Mundial acontecendo, é sua obra-prima. Toda sua produção é fantástica, mas “O Mez…” é especial. Um prato cheio para quem estuda convergência de mídias (e é sempre bom lembrar que ele escreveu essa obra na década de19 70, muito antes das facilidades do computador). Quem gosta dos escritos sobre cinema de Eisenstein se sentirá agraciado.

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0 Comments

  1. Fabio Correia disse:

    Já estava com vontade de ler agora sabendo que possui influencias de Neil Gaiman acho que não tem mais jeito ler esse livro vai ser um obrigação imagino que as referências do Necronomicon esse livro magnifico e real kkk e de Cantiga de Ninar que é muito bom também agora fiquei ansioso pelo minha copia.

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