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Futebol: Escrevendo “Boost”, Vinícius Lisbôa

Amantes do futebol nascidos no século XX diriam que aquela era uma pelada. Mas a nova roupagem do esporte, boostado como um todo e não apenas nos corpos dos atletas, era um show que quase dispensava a habilidade. Imagens fabulosas, gráficos em 3D, estatísticas em tempo real, funções interativas nas TVs, links para histórias das movimentadas vidas pessoais dos jogadores, e, claro, a própria beleza deles e suas capacidades sobre-humanas geraram outro produto do entretenimento.

 

O segundo gol de Kutner naquela partida era uma prova disso. Aos 15 do primeiro tempo, um chute do meio de campo fez a torcida balançar as bandeiras em frenesi. Uma bomba que amedrontaria qualquer goleiro, e que derrubaria os queixos de Branco e Roberto Carlos. A trajetória não fez grandes curvas, e o chute não foi dos mais bonitos. E daí? A imagem dos músculos da coxa se contraindo, a câmera lenta, os gráficos que mostravam a aceleração desumana e os replays interativos que permitiam girar 360 graus deixavam qualquer jogada genial. O gol estufou a rede. A torcida, no estádio, assistiu a tudo pelos telões, onde os detalhes visuais roubavam a cena da vida real.

 

– Isso é Hiperliga, meus amigos! A Bancastro virou um cometa! – Teve que declarar o comentarista, lembrando o banco patrocinador que nomeou a bola.

disputa

“Boost” foi pensado para ser uma distopia, um futuro em que algo de essencial não fizesse mais parte do esporte. Como alguém que não acompanha o futebol, minha primeira dificuldade foi: que privação poderia tornar essa paixão mundial mais sombria aos olhos de seus fãs de hoje?

Pensando em meus amigos mais vidrados nos campos, foi fácil chegar a algumas respostas:

  1. Eles odeiam qualquer cogitação de teoria de conspiração ou manipulação comercial por trás dos resultados.
  2. Eles odeiam a cobertura jornalística que desconsidera a técnica em favor de gracinhas e anedotas de celebridades.
  3. Eles temem que excessos técnicos e físicos e retrancas retirem do esporte a criatividade e a beleza das jogadas.

Daí nasceu Boost, que se passa na Hiperliga Carioca de 2037.

O futebol jogado nesse torneio se diferencia de qualquer esporte de hoje por um motivo fundamental: não há limitações para o dopping. Além de não ser proibido, o “boost” é administrado pelos próprios clubes, mediante contratos de “assine aqui para assumir toda a responsabilidade pelo que der errado com a sua saúde”.

Somando-se a isso uma invasiva influência dos patrocinadores e algumas ferramentas tecnológicas capazes de transformar qualquer jogada num show de imagens espetaculares, a Hiperliga prescindiu da habilidade e se transformou numa indústria bilionária de estética, entretenimento, e – por último – futebol.

Nesse trágico panorama esportivo, o protagonista da história é Maurício Kutner, um jovem de classe alta que mergulhou no dopping e na glamourização da Hiperliga, virou a estrela do esporte, mas começa a enxergar o que perdeu enquanto ganhava músculos, dólares e fama.

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