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Terra Morta – relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “Noite de Poker”, de Fábio Aresi

As pernas de Jair começavam a adormecer de cansaço e os pulmões eram uma fornalha prestes a explodir. A visão embaçou e ele teve a nítida certeza de que aquele era o seu fim. Iria se esborrachar no chão e ser devorado vivo por aqueles monstros. Desejou com todas as suas forças que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo horroroso e assustadoramente real. E, se realmente o fosse, que hora mais propícia para acordar senão aquela? Afinal, não é justamente quando estamos caindo ou prestes a morrer que geralmente acordamos? Mas ele achou melhor não arriscar. Não caiu, nem acordou. Os pés de alguma forma se mantiveram em movimento, sustentando o peso de seu corpo e jogando-o ainda mais para frente. Mas por quanto tempo eles ainda aguentariam? Não pensa, porra. Só corre!

Escrevendo _Noite de Poker_, de Fábio Aresi

Comecei a escrever Noite de Poker no antigo e úmido quarto que dividia com meu irmão mais novo, quando ainda morava com minha família, em Porto Alegre. Era uma madrugada chuvosa, lembro-me bem, e eu esperava contar com a atmosfera daquelas horas escuras para dar início à minha história. Já havia tentado algo durante o dia, sem sucesso. Com o perdão do paradoxo, a escuridão da noite teria que me dar alguma luz.

Como não tinha nada com que começar, decidi partir de um clichê: o protagonista corria por sua vida, enquanto uma horda de zumbis se arrastava em seu encalço implacavelmente, braços estendidos em sua direção, bocas escancaradas cobertas de sangue, tudo muito convencional. Repeti o processo de escrever, apagar e reescrever o mesmo parágrafo algumas vezes. Fumei alguns cigarros (na época, eu ainda fumava). Já começava a ficar impaciente.

Foi então que tive um estalo mental.

E se o protagonista de minha história fosse justamente o oposto daquele propenso a sobreviver? E se ele fosse obeso? A ideia me pareceu um tanto absurda a princípio, já que isso faria com que a narrativa não durasse por muito tempo. Mesmo assim, fiquei seduzido por este personagem não ideal. Sou naturalmente atraído pela ideia do “não ideal”. Escreveria até onde ele pudesse sobreviver. Seduzi-me ainda mais quando me ocorreu que ele poderia não apenas ser falho em sua constituição física; ele poderia ser falho por completo, uma pessoa deplorável, mau caráter, egoísta e corrupta. Foi o que me bastou para pincelar em minha mente a figura de um político brasileiro.

Nascia o deputado Jair Nunes da Costa.

Contentei-me de imediato com a ideia, mas ainda me faltava algo. Eu não queria apenas uma história sobre um homem fugindo de zumbis. Eu queria explorar este protagonista incomum, e para isso era necessário mostrá-lo também em uma situação “extra-apocalipse zumbi”, digamos assim. Mas o que ele estaria fazendo antes de o mundo virar do avesso? A resposta veio através de um nome: Goulart. O protagonista se encontrava em fuga desde que havia deixado a casa de Goulart.

Quem é Goulart? Um colega de partido foi a resposta instantânea.

O que eles estariam fazendo? Uma orgia com prostitutas foi a resposta seguinte. Mas não gostei muito da ideia. Achei-a forçada demais, apelativa. Descartei-a logo em seguida. A sugestão seguinte me pareceu bem melhor. Mantive as prostitutas, coloquei mais alguns personagens e criei um encontro de pessoas sordidamente corruptas. Uma sexta-feira de poker, drogas e, depois, de sexo.

Como trazer este background para a história? Como lembranças? Como flashbacks? Até tentei trazer o jogo de poker como um diálogo interno do personagem em fuga, mas logo percebi que não isso não traria o efeito desejado. Resolvi, então, narrar o antes e o depois ao mesmo tempo, intercaladamente, aumentando cada vez mais a tensão e a troca entre os planos narrativos, até um clímax em que os dois trouxessem o horror do apocalipse zumbi.

O resultado você encontrará na coletânea de Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi. Você gosta de poker? Que tal uma última partida?

Terra Morta: relatos de sobrevivência ao apocalipse zumbi

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0 Comments

  1. Carla Lorena Alves disse:

    KKKK! Perdão, Tiago Toy, isso? Não vi seu nome ali! Só vi o nome de um… narrador? Me confundi! Mas de qualquer maneira, parabéns pelo livro!

  2. Fábio Aresi disse:

    Fiquei muito feliz e orgulhoso de fazer parte deste seleto time de sobreviventes. Que venham os zumbis! Parabéns a todos os envolvidos! 🙂

  3. Carla Lorena Alves disse:

    Olá! Se eu dizer que fiquei muito curiosa com esse pedacinho que li de “Terra Morta – Relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi”, é pouco! Eu adorei de verdade! O melhor de tudo é que eu tava precisando de um empurrãozinho sabe, de inspiração, criatividade e tals… Esse trecho me deu o que eu precisava.
    Esse trecho me deixou um suspense bem bom, e estou me perguntando o que acontece, como essa estória vai se desenrolar… Sabe, também sou escritora, na verdade, amadora, mas pretendo publicar meus livros com a Draco também.
    Fábio Aresi sucesso pra ti, parabéns porque torço pra você ir longe! Um abraço!

    • Fábio Aresi disse:

      Olá Carla! Desculpe só agora responder seu comentário (nossa, já faz tempo!). É que só agora voltei a rever este post. Fico muito feliz que deixei você com esse gostinho de quero mais pela minha história. Você não vai se arrepender com ela, nem com as demais que compõem a obra toda. Desejo para você muito sucesso também. Escreva, não interessa sobre o quê, se você está inspirada ou não; escreva, e você também irá longe. 🙂

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