Meu Amor é um Sobrevivente: Escrevendo “Sandarach”, Christiane Salles
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Meu Amor é um Sobrevivente: Escrevendo “Dias de Sombra”, Bruna Louzada
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Meu Amor é um Sobrevivente: Escrevendo “Futuro do Pretérito”, Patrícia Loupee

Ao me aproximar da porta estilhaçada da igreja, percebi que o termo sepulcral se aplicava não apenas ao silêncio como também ao cheiro: carcaças de transformados estavam espalhadas por todos os lados; mortos e decompostos, terríveis adornos de um cenário que eu apenas conseguia imaginar, embora não quisesse.

 

Continuei, ainda assim.

 

Passando pelos bancos, me desviando dos cadáveres, cheguei até o altar, e o atravessei sem olhar para as imagens sacras acima. Atrás delas, uma pequena passagem dava entrada para a sacristia e para uma escadaria estreita e escura, em espiral. As escadas que levavam ao topo da torre.

 

Conforme ia subindo, me preparava para chegar lá em cima, cada vez mais certa de minha decisão; mas conforme o topo foi ficando mais perto, deixei de estar tão segura assim – não por arrependimentos, nem por medo ou por descrença, mas devido a um ruído que chegava aos meus ouvidos.

 

Por um instante, pensei tratar-se de um transformado, mas o som não se assemelhava a nenhum que eles fossem capazes de produzir. Também pensei que fosse meu irmão me pregando peças – não seria a primeira vez que ele fugiria de um lugar fechado – mas em momento algum chegou a me passar pela cabeça que aquilo fosse o que realmente era: a voz de outra pessoa.

Lost - Jack e Kate

Eu já conhecia as antologias abertas da Draco há algum tempo, e estava atenta a todas as redes sociais da editora esperando pela minha primeira chance de participar; e eis que ela surgiu com este último volume da coleção Amores Proibidos, abordando a sobrevivência do amor em mundos caóticos.

Não sou particularmente romântica, mas gosto do tema apocalíptico e, por isso, resolvi me aventurar.

Uma das minhas histórias favoritas com este clima de fim de mundo é um conto do MESTRE, meu ídolo, Stephen King, chamado “Ondas Noturnas”; onde um grupo de sobreviventes se reúne para simplesmente tentar seguir em frente, reunindo suas esperanças para conseguir sobreviver.

O conto diz pouco sobre o porquê da devastação ou sobre quem são os personagens, deixando muito espaço para a imaginação, e eu gosto disso. Na tentativa de replicar o clima dinâmico, quase cinematográfico de King, mas ainda mantendo a melancolia e o constante perigo nas vidas dos personagens principais, a história foi pensada como um filme de curta metragem: cenas de ação desenfreada permeadas por flashbacks de ritmo mais lento; o que ressaltou, no final das contas, o que realmente me importava: as poucas fagulhas de esperança nas quais o casal protagonista se agarra para não enlouquecer.

Também foi meio que inevitável não pensar na figura do zumbi: eles são icônicos, fáceis de reconhecer e se identificar, mas tão explorados nos últimos anos que grande perícia se faz necessária para criar algo realmente digno de nota com eles.

Foi aí que surgiu a mudança de nome. O simples zumbi, um estereótipo que todos conhecem, passou a ser um “transformado”, sem descrição específica, sem face e sem passado, mas sempre nos seus calcanhares, pronto para atacar.

Firmada esta ideia, o conto levou, ao todo, duas semanas para ser concluído (eu me lembro, inclusive, de tê-lo enviado na véspera de Natal do ano passado!). Tive o apoio imenso de um grande amigo durante o processo: ele leu, revisou, e até sugeriu algumas ideias excelentes. Infelizmente, a única sugestão dele que eu não acatei foi a respeito do final – que eu sinceramente espero que não provoque revolta em ninguém!

Meu Amor é um Sobrevivente, editora draco

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