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Meu Amor é um Sobrevivente: Escrevendo “A Cidade do Eterno Verão”, Mariana Bortoletti

“Desculpe”, ele pediu na língua das caravanas. “Eu não devia ter atacado você, mas esses mapas são muito importantes para mim e para a minha jornada. Sem eles, eu estaria morto há muito tempo. Aliás, foi você quem me encontrou?”

 

A guerreira concordou com a cabeça, notando que o amarelo e o rosa não eram as únicas cores nele. Seus olhos eram verdes como uma árvore viva.

 

“Obrigado”, o sobrevivente respondeu. Em seguida, engoliu com um estalo, raspando o pomo de adão na lâmina da espada curva.

 

“O que você busca?”, ela perguntou após alguns segundos.

 

“A Cidade do Eterno Verão”, o sobrevivente respondeu, depois de um tempo no qual pareceu considerar se respondia a verdade ou não. Antes que a guerreira pudesse ter qualquer reação, ele completou: “Eu sei que todos acreditam que isso é uma lenda, mas é o que eu busco. Trago comigo os mapas dos desertos do novo mundo para me guiar até ela”.

 

Influenciada pela aparência dele, seu sotaque e aquela última informação, a guerreira baixou a espada, mas não a embainhou. O sobrevivente até podia não ser um membro de horda, mas, com certeza, tinha perdido o juízo.

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O termo distopia é algo novo para mim, embora o conceito não seja. Desde criança eu gosto de imaginar essas realidades distantes da utopia, mas as minhas nunca foram políticas e sim ambientais. Minhas distopias deixavam o planeta quente, arenoso e seco; transformavam tudo em um lugar onde não se fosse mais possível viver, mas apenas sobreviver. Quando eu soube que a Editora Draco queria histórias de pessoas sobrevivendo juntas para uma nova antologia, eu soube que toda aquela imaginação não tinha sido em vão. Eu coloquei o meu ambiente distópico para funcionar e, a partir dele, se desenvolveu toda a história do conto “A Cidade do Eterno Verão”.

Parece loucura gostar de imaginar pessoas vivendo em lugares desafiadores como o cenário desse conto, mas eu descobri que o desespero os fazia crescer, mostrava facetas que muitos deles teimavam em esconder. Eu quis que meus personagens se desenvolvessem nesse ambiente porque é um ambiente que desafia qualquer um a se adaptar, a ser forte e, mesmo que não demonstre, a ter esperança e eu gosto de ver que meus dois protagonistas se revezam para mostrar esses fatores. Dois protagonistas que eu gosto bastante, por sinal. Cada um segue sua história, desvia de suas barreiras e segue seus caminhos, mesmo quando se tornam interdependentes.

Esse conto é meu filho preferido.

Espero que vocês gostem da minha cria.

Meu Amor é um Sobrevivente, editora draco

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