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Dragões: Escrevendo “As mulheres da minha vida”, Marco Rigobelli

– Tenho uma amiga pra te apresentar, cara!

 

Essas são as palavras que, juntas, todos os homens deveriam temer. O resultado delas nunca é bom e mesmo assim levá-las a sério é um mal que aflige toda uma parte considerável da sociedade. Você já deve imaginar que eu acabei dentro destas estatísticas.

 

O problema de Marv é que ele tem muitos hobbies, e em todos são os outros que se fodem no final. Além das maluquices com esoterismo, ele tem essa coisa de tentar ser casamenteiro. Mania que trata quase como se fosse um talento. Ele já arranjou mulheres para vários amigos, eu mesmo já fui apresentado a duas pelos serviços de Marv e mesmo assim não aprendi. Me arrependi, mas não aprendi.

 

A primeira delas parecia algo que eu desenharia com minha mão esquerda; tinha as canelas tão finas que eu jurava ouvir o som de uma tesoura fechando sempre que ela cruzava as pernas, o que também não era algo bonito de se ver. Em quinze minutos de conversa, perguntou o que eu usava. Quando respondi que só bebia, a mulher (que se chamava Amanda, se não me engano) fez uma careta e gesticulou com a mão como se achasse que segurava um cigarro. Então perguntou se eu tinha dinheiro para ela poder dar um pileque, eu respondi que não e ela ofereceu um boquete em troca. Recusei, meu estômago embrulhou só de pensar naqueles dentes escuros perto de mim. Não muito depois ela foi embora e me sobrou a conta. Mas pelo menos tive o que levar para comer no jantar.

 

A segunda parecia uma evolução nas habilidades de Marv como cupido, se ela não tivesse sido homem em algum momento da vida.

 

E mesmo assim, após esses dois desastres, preferi aceitar a dizer não para ele. Pensando agora, eu mereci o que isso tudo me causou. Poderia ter recusado, ou mesmo empurrado a mulher da qual ainda nem sabia o nome para outro, mas não, eu o incentivei a ir em frente com a ideia estúpida. Acredito que algumas pessoas se sintam sexualmente atraídas por ideias estúpidas, porque só isso é capaz de explicar a necessidade com a qual se atiram na direção delas. Sem dúvidas sou uma dessas pessoas.

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Escrever “As mulheres da minha vida” nunca foi o plano para “Dragões”, antes pensava em trabalhar uma ideia de conto mais tradicional a respeito das criaturas, até porque isso foi justamente o que não estava acontecendo na antologia até aquele ponto. Durante todo o processo de seleção e edição dos contos, eu brincava no Twitter que meu texto em um livro chamado “Dragões” só poderia se chamar “As mulheres da minha vida”. No final, foi justamente o que aconteceu.

Essa foi uma daquelas ideias que me saltou na cabeça e não quis deixar passar até esquecê-la. Marv e Artur começaram a tomar forma enquanto novas ideias para o texto apareciam – eu desenvolvi o hábito de ficar maturando a ideia antes de tentar colocá-la no papel. Não aconselho ninguém a fazer isso, porque é muito fácil você perder o controle da história que pretende contar.

Tenho algumas teorias sobre como os relacionamentos funcionam na cabeça das pessoas. Para mim é inevitável não classificar a todos que passaram por sua vida de alguma forma, ainda mais quando se envolve mais com alguma pessoa. Então decidi usar a temática da coletânea como fio condutor de um enredo onde Artur relembra as principais mulheres a passarem por sua vida enquanto ele vai aos poucos se envolvendo com uma que parece realmente especial. E ela é, muito.

Acho que esse é o texto onde melhor desenvolvi minha linguagem informal, pude brincar com gírias e jogos de palavras, da mesma forma em que pude usar o nosso mundo num realismo fantástico mais sutil, com as coisas acontecendo nos bastidores de nossa realidade. O legal disso é poder usar ambientações um pouco mais familiares para mim e os leitores, facilitando a assimilação e de certa forma até a narrativa, o que ajuda muito em textos com prazo curto como foi o caso desse.

Você pode baixar o conto em formato e-book na sua loja preferida, acesse a hotpage: http://editoradraco.com/2013/01/04/dragoes-as-mulheres-da-minha-vida-marco-rigobelli/

Quer ler esse e outros contos da coletânea Dragões? Acesse: editoradraco.com/2012/11/29/dragoes/ e garanta o seu exemplar!

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