Excalibur – Escrevendo "O Fio da Espada", Melissa de Sá
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Excalibur – Escrevendo “Cavaleiro anônimo”, André S. Silva

Um saxão está ao meu alcance. O primeiro dos muitos que pretendo matar por Camelot. Ele acaba de chocar seu escudo contra um dos nossos. Ataco sem que ele tenha chance de me ver. Acerto-o na altura do coração e assisto enquanto ele desaba, com os olhos arregalados.

 

Matar um homem não é tão difícil quanto eu imaginava.

 

Ergo os olhos e vejo mãos empunhando espadas, corpos trajando armaduras, mas nenhum rosto. Ouço milhares de vozes, não reconheço nenhuma. O pano de fundo da minha batalha é um pandemônio de vidas sem nome sendo devoradas pelo esquecimento. Não sei onde está o Rei ou os demais cavaleiros.

 

Talvez em algum lugar à minha frente.

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Idylls of the King – Gustave Doré

Demorou um pouco até eu decidir tentar uma vaga na coletânea Excalibur. Apesar de ter algum conhecimento das lendas arturianas por conta dos estudos literários na Faculdade de Letras, em um primeiro momento eu senti que simplesmente não tinha uma ideia interessante o suficiente para escrever um conto com tal ambientação.

Até que, um belo dia, me peguei pensando em um farrapo de ideia que já vinha nutrindo há algum tempo, que seria o de escrever uma história épica, preferencialmente sobre uma guerra, mas do ponto de vista de um coadjuvante sem importância. Fosse um daqueles figurantes sem nome que a gente vê voando em uma explosão qualquer, ou de alguém que simplesmente se encontra à margem dos acontecimentos, perto demais para viver uma vida normal, mas ao mesmo tempo longe demais para, de fato, fazer alguma diferença no grande esquema das coisas.

À partir daí resolvi aproveitar a premissa, tomando como base um apanhado geral das histórias que se têm sobre Artur e seus cavaleiros. O título, Cavaleiro Anônimo, não só tem sua natureza explicitada na trama, mas é também uma homenagem a um filme do qual gosto muito e que também traz em si a marca de ser protagonizado por um “quase” herói, Soldado Anônimo, de Sam Mendes.

Espero que gostem!

Quer ler esse e outros contos da coletânea Excalibur – histórias de reis, magos e távolas redondas? Acesse: http://editoradraco.com/2013/09/02/excalibur-historias-de-reis-magos-e-tavolas-redondas/ e garanta o seu exemplar!

0 Comentários

  1. Melissa de Sá disse:

    André, que interessante saber que partimos de um ponto comum (o do de um desconhecido, alguém à margem dos figurões), mas desenvolvemos o conto de uma forma diversa. Fiquei bem curiosa – o trecho que você postou é bem instigante.

    • André S. Silva disse:

      É verdade Melissa 🙂

      Isso só prova o quão rico é um universo como o dos mitos Arturianos e quão acertada foi a escolha da Ana em fazer uma antologia com o tema.

      Grande abraço!

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