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Excalibur: Escrevendo “A solução final”, A. Z. Cordenonsi

Uma chuva fina acompanhava o cortejo que saiu da Abadia de Westminster, as botas negras chapinhando no chão molhado enquanto o caixão de Sir Breunor, o Matador de Leões, era carregado pelos seus companheiros. À frente, seguia o Rei Arturious, o cenho franzido e as costas arqueadas, os ossos cansados sentindo cada passada enquanto as minúsculas engrenagens do seu onióculo se adaptavam à visão vespertina. Por uma vez mais, ele amaldiçoou o Rei Meleagant à Dagda por ter lhe arrancado o olho destro durante a Batalha de Éamon. O artefato lhe substituía bem a visão, mas era incômodo e lhe dava constantes dores de cabeça.

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Idylls of the King – Gustave Doré

“A Solução Final” nasceu de uma grande coincidência: quando a Ana Lúcia Merege e o Erick Sama lançaram a chamada para Excalibur, eu tinha acabado de reler Camelot 3000. Para quem não conhece, esta é uma série de histórias em quadrinhos lançada na década de 1980 que apresenta o Rei Arthur, Merlin e os principais personagens arturianos renascidos no ano 3000, onde eles precisam lutar contra uma invasão alienígena comandada por Morgana Le Fey.

Com esta história na cabeça, resolvi ousar na concepção do conto e transformei a Inglaterra arturiana em um mundo tensionado pela Revolução Escolástica perpetrada pelo falecido Merlin, uma espécie de paródia steampunk para a nossa revolução industrial. Visualmente, as ilustrações de Will Beck foram uma inspiração importante (http://www.willbeck.com/artblog/?cat=6). No entanto, a estética retrofuturista é utilizada como pano de fundo para o desenvolvimento dos personagens.

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Steampunk Sir Mordred and Queen Morgana – Will Beck

Eu sempre percebi o mito arturiano como muito mais do que uma simples história de cavaleiros; na verdade, as diversas passagens da vida do Rei Arthur são sempre recheadas de meandros e disputas pelo poder. Afinal, trata-se do líder de uma nação embrionária e a busca pela coroa era um prêmio grande demais para ser desprezado. De uma forma simplista, “A Solução Final” é uma intriga palaciana.

Minha inspiração para conduzir a trama nasceu da minissérie “The Tudors”, um drama que apresenta a vida de Henrique VIII; e na minissérie “The Borgias”, que retrata a vida da corrupta dinastia italiana que comandou boa parte das ações durante o Renascimento. Apesar das diferenças históricas apresentadas nestas séries, as duas convergiam sua atenção para a relação complexa dos poderosos com seus familiares e amigos. No final, os melindres e as picuinhas acabam se tornando forças poderosas entre os detentores do poder, tanto quanto os tratados de paz ou as declarações de guerra.

Pesquisei a história do Rei Arthur para a concepção dos personagens, mas me detive no relacionamento entre os diversos sujeitos; afinal, como se tratava de uma história alternativa, muito mais importante do que a ordem histórica dos acontecimentos era a forma como cada um se encaixava neste novo mundo. Se as funções modificaram-se, a personalidade manteve-se intacta.

Espero que os leitores apreciem as sutilezas de cada decisão que precisei tomar para tornar o Rei Arthur e seus cavaleiros dignos representantes de um mundo comandado pela força do vapor das máquinas.

Vida longa ao Rei!

Quer ler esse e outros contos da coletânea Excalibur – histórias de reis, magos e távolas redondas? Acesse: http://editoradraco.com/2013/09/02/excalibur-historias-de-reis-magos-e-tavolas-redondas/ e garanta o seu exemplar!

0 Comments

  1. Ana Merege disse:

    Tenho certeza de que todos irão gostar!

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