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#ContosdoDragão: Por dentro de Nordara, José Roberto Vieira

Nordara é o nome do mundo dos livros “O Baronato de Shoah”. Desde sua concepção eu sempre entendi este mundo como um organismo vivo, um local onde várias histórias estão acontecendo ao mesmo tempo e várias culturas dividem espaço e entram em confronto por diferenças ideológicas.

O Baronato de Shoah

A ideia de Nordara, basicamente, é emular o nosso mundo com pitadas de magia e tecnologia diferenciadas, algo que atraísse a atenção dos leitores por suas características próprias e, ao mesmo tempo, tão comuns no nosso mundo. Em Nordara uma boa parte do reino dos orcs foi escravizada pelos minotauros, centauros e vampiros, tudo em nome da fé e da supremacia racial. Os humanos aprisionaram seus antigos inimigos, os Titãs; e os orientais se mantêm enclausurados em uma guerra civil que já dura anos e dizimou boa parte de sua população.

Por enquanto os livros da saga “O Baronato de Shoah” se focam na área central de Nordara, o Quinto Império. Conhecida como a mais poderosa das nações, eles dominam uma boa parte do território central e se apoiam em uma política expansionista que já lhes valeu os territórios de Susanowo e o arquipélago de Kierkgaard. Além destas duas áreas mais conhecidas, o Quinto Império também dominou os reinos menores de Kaz Hirai, lar das harpias e de Auberon, lar dos sidh o povo-fada e seus meio-sangue, os ankosh. Ainda dentro deste território, mas escondido sob as águas, existe um reino secreto, do qual existem poucas informações. Seu nome é Nareen Torc Triath e ele é habitado pelos nekuia, o povo das profundezas.

O Baronato de Shoah é a região mais importante do Quinto império porque foi ali que Shoah, o Messias, libertou seu povo do poder dos Titãs, criaturas antigas e de imenso poder que escravizaram os humanos durante muitos anos. A região também é importante por ser o centro de treinamento da Kabalah, a elite militar do Quinto Império.

Na saga de O Baronato de Shoah os leitores são apresentados a Sehn Hadjakkis e seu grupo, a Canção do Silêncio. Sua história está intimamente ligada à formação da Kabalah e a muitas verdades sobre Shoah e os Titãs.

Mas como eu disse anteriormente, o mundo de Nordara é um mundo vivo, um mundo onde várias histórias acontecem ao mesmo tempo, onde culturas entram em choque, religiões discutem e pontos de vista dão início a guerras.

Os três contos apresentados a seguir foram pensados dentro de períodos relacionados ao livro O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio. Se eu tivesse de indicar uma ordem de leitura, ela seria esta:

O Baronato de Shoah – As três faces do mal

As três faces do mal – este conto se passa na mesma época do livro O Baronato de Shoah, incluindo a aparição de alguns personagens da saga e situações apresentadas no livro principal, porém, por outro ponto de vista. Este conto também apresenta um novo grupo de inimigos, a Qliphoth, criada com o único objetivo de destruir a elite do Quinto Império.

Sinopse: Cohen e Ryszard Dajjal são dois órfãos que trabalham como aprendizes de cozinheiro no Cenóbio de Ahator, o mosteiro onde é treinada a Kabalah, a elite do Quinto Império.

Cohen recebe a chance de mudar sua vida, mas para isso deve deixar para trás tudo aquilo que ama e acredita, inclusive seu irmão, Ryszard.

As decisões de Cohen colocam em risco sua vida e a de seu irmão, revelando uma ordem secreta infiltrada na elite e que tem como único objetivo destrui-la: a Qliphoth, a Árvore da Morte.

O Baronato de Shoah – As filhas do amanhã

As Filhas do Amanhã – Este conto se passa no final de O Baronato de Shoah – a Canção do Silêncio e no começo de O Baronato de Shoah – A Máquina do Mundo. Ele também é um pouco diferente daquilo que o leitor médio de O Baronato de Shoah está acostumado. Ele não é linear e envolve um bocado de viagem no tempo, realidades alternativas, possibilidades e brincadeiras clarividentes.

Sinopse: Como única sobrevivente de uma traição, Stephanye herdou a responsabilidade de se vingar de seu inimigo, Guéshem, a tempestade rubra. Conforme avança em sua jornada, Stephanye descobre que pode alterar o passado e salvar aquelas que amou um dia. Entretanto, esta alteração tem um preço e Stephanye não sabe se está disposta a pagá-lo.

O Baronato de Shoah – Mais forte que a água

Mais forte que a água – o título deste conto foi alterado uma dezena de vezes, até que a autora Ana Lúcia Merege descartou o título de um conto dela e gentilmente me cedeu estas palavras. Esta história explica como a Kabalah se envolveu politicamente com os minotauros e os centauros, prejudicando seu mercado de escravos orcs. Apesar de, cronologicamente, ter acontecido primeiro, aconselho a leitura deste conto por último.

Sinopse: Lyafar Vaz Klotzel não está em busca de justiça, vingança ou heroísmo. Ele busca apenas “O Carcereiro”, um velho amigo que o traiu e destruiu tudo aquilo em que acreditava. Sua jornada pessoal em busca de redenção o leva a uma cidade que traz lembranças da época em que este pistoleiro era um rebelde anarquista contra minotauros escravagistas. Uma mistura entre fantasia e western, esta é uma história dentro de uma história de promessas e amizades.

seolferwulf

Seolferwulf é a junção de dois contos. O primeiro a ser criado foi a parte de Erion e os trolls. A inspiração para ele foi a Haka, a dança aborígene australiana e que o time de rugby do país dança antes de cada jogo.

O nome do troll, Erion, vem de uma das minhas bandas favoritas: Therion – e parte da música que os trolls cantam no drömma nada mais é do que uma das músicas do disco Secrets of the Runes.

A segunda parte do conto, com a mãe do Diren, veio do jogo de videogame Wild A.R.M.S 1 (a famosa sequência do Rudy subindo a montanha e encontrando Jack e Cecília). Eu também queria contar um pouco mais da história da antiga geração da Canção do Silêncio.

Sinopse: Os trolls entraram em extinção. Seus costumes se foram, suas terras acabaram, seus domínios desapareceram. Erion, o líder troll, vislumbrou uma criança e sua mãe perdidas entre as montanhas de Hellyah. Elas nada significam para ele, nada podem fazer por seu povo. Mas deixá-los para morrer vai contra tudo aquilo em que acredita. Em sua jornada através do gelo Erion testará sua fé e a crença na vida, a única coisa que sobrou ao seu povo.

seolferwulf_english

Seolferwulf, versão em inglês.

Summary: The trolls are in the verge of extinction. Their customs are gone, their lands have diminished, their domain has vanished. Erion, the trolls’ leader, caught the glimpse of a mother and her child stranded in the mountains of Hellyah. They mean nothing to him, and can do nothing for his people. But leaving them to perish goes against everything in which he believes. In his journey through ice and snow, Erion will test his faith and his belief in life, the only things left to his people.

O monge

O monge é um spin-off do Baronato de Shoah. A ideia original era ser um conto que apresentasse eventos paralelos ao livro, novos personagens e a cultura de Kuronaya, o oriente de Nordara.

O resultado ficou tão bom que os protagonistas do conto, Syrah (uma nookam da Kabalah) e Yamaguchi (um ronin) aparecem em O Baronato de Shoah – A Maquina do mundo.

Este conto nasceu quando o Eric Novello me pediu parar criar uma historia para uma coletânea que ele estava organizando: Fantasias Urbanas.

Curiosidades? Yamaguchi é o nome do último japonês sobrevivente de duas bombas atômicas da Segunda Guerra mundial.

Sinopse: Conto publicado na coletânea “Fantasias Urbanas”, é o segundo spin-off de “O Baronato de Shoah: A Canção do Silêncio” (2011), e conta a história de Tsutomo Yamaguchi, um soldado vindo do oriente de Nordara. Acusado de assassinar três sheyvet, ele vê suas chances de liberdade recaírem sobre uma jovem e inexperiente nookam, Syrah Vidocq, disposta a tudo para provar sua competência perante os mais importantes juízes imperiais.

Todos estes contos, de certa forma, são preparatórios não apenas para O Baronato de Shoah, mas para o mundo de Nordara. Estes são contos que expandem o mundo em si, levam o leitor para além do livro principal e o levam a conhecer mais do que a história de Sehn e seus companheiros. Estas histórias fazem de Nordara um mundo vivo.

Um mundo como o nosso.

0 Comentários

  1. Ana Lúcia Merege disse:

    E não é que levei mesmo um susto ao ver o título, até lembrar de nossa combinação… 🙂 Sucesso com o trabalho, Zero!

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