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Os seis P’s da criação literária

O Andarilho das Sombras

O Andarilho das Sombras – Série Tempos de Sangue

Quando pensei em escrever o meu primeiro romance, O Andarilho das Sombras, já tinha boa parte da história “na cabeça”, sabia qual seria o perfil do personagem principal, a época em que se passaria a trama e até mesmo algumas ligações que eu faria com fatos reais.

Eu podia ter sentado na frente do computador e começado a digitar o texto freneticamente, entretanto, como eu sempre entendi a criação de um livro como um projeto profissional, havia outras etapas a serem cumpridas antes de iniciar a redação.

Veja: a seguir, irei contar um pouco mais do meu modus operandi e das minhas experiências, mas isso não quer dizer que esse é o modelo ideal. É apenas a minha forma de produzir, ok?

Planejamento

A minha carreira tem duas vertentes: a de escritor e a de analista de conteúdo. E uma complementa a outra.

E dos meus trabalhos em planejamento estratégico da informação trouxe algumas metodologias que me ajudam quando eu vou escrever, seja um artigo, um conto ou um romance.

Para mim, planejar é essencial e me possibilita ter um overview dos principais pontos da história e dos personagens.

Quando criei o Harold Stonecross, protagonista do O Andarilho das Sombras, fiz um descritivo das suas características físicas e comportamentais. E isso foi vital nos diálogos, nas batalhas e nas reflexões intimistas.

E assim foi com o Edred, a Liádan, o Espeto etc. Conhecer bem os indivíduos foi importante para diferenciar os estilos e as posturas diante das situações. Uns são mais brutos, outros mais sutis. Há os “palhaços” e também os ranzinzas.

Definidos os principais atores, fiz um pequeno “roteiro” descrevendo os pontos-chaves a serem abordados durante a narrativa e os locais importantes para a trama. Também escrevi alguns trechos que serviram de base para os principais capítulos do livro.

Em um documento extra, escrevia os insights que tinha durante o dia – ou durante um sonho. Muitos eu não aproveitei nesse livro, mas estão guardados para os próximos!

Assim, o briefing da minha obra estava pronto.

Pesquisa

Depois dos estudos e esboços iniciais, chegou a hora de imergir em pesquisas sobre os costumes da época – séculos XI e XII -, buscar mapas da região – Inglaterra, Irlanda e França -, conhecer mais sobre os fatos históricos que seriam entrelaçados com a minha história.

Então fiz diversas leituras, embrenhei-me em várias bibliotecas virtuais de universidades e instituições e busquei as referências necessárias.

Também vi alguns filmes para captar melhor os detalhes das vestimentas e construções, ouvi sons de instrumentos de época, vi gravuras e pinturas. Ou seja, envolvi-me com todas as mídias que encontrei para ter uma experiência mais rica e completa.

Esse foi um processo muito detalhado, mas bem gostoso de fazer.

Produção

Conto - Parede de Escudos

Seja na produção de um conto ou de um romance, a metodologia é a mesma.

Enfim comecei a escrever o texto. Não defini prazos, pois, para mim, o importante é a qualidade. E quando trabalhamos em projetos criativos a inspiração não é algo constante, entende?

E como não havia cronogramas definidos, dei-me a liberdade de criar no meu ritmo.

Então escrevi, li, reescrevi, li novamente, cortei trechos, acrescentei trechos, mudei direcionamentos, voltei atrás, ou seja, produzir um texto não é um processo linear. Há várias voltas antes de se chegar ao resultado desejado.

E não adianta querer fazer tudo na mesma hora. É preciso deixar a história “descansar” um pouco e ocupar a mente com outras coisas. Senão a nossa leitura tende a ficar viciada.

Publicação

História terminada, revista e revisada, foi hora de buscar uma editora. E nesse caso eu não adotei a postura de um pistoleiro que atira para todos os lados. Preferi trabalhar tal qual um sniper e focar apenas nas editoras com perfis alinhados às minhas expectativas.

Montei uma boa sinopse – que é tão difícil quanto escrever um livro! – e fui me apresentar ao mercado.

E assim cheguei na Draco.

Finalizada as negociações, original aprovado – ainda tive que fazer ajustes depois da leitura crítica, o que enriqueceu ainda mais a obra –, chegou o momento de finalizar o texto e pensar na capa.

E aqui foi um processo criativo sob a ótica de duas “mentes”. Erick Sama e eu fizemos um brainstorm de termos, cenários e objetos relevantes ao O Andarilho das Sombras.

E depois de várias análises e refinamentos, chegamos à gravura da capa, que é um lugar real, uma pintura real que passou pela “mágica” do Erick até ficar do jeito que vocês conhecem.

Livro impresso, trabalho acabado?

Não!

É agora que a coisa fica séria! rsrsrs

Publicidade

fantasticon

Eu junto dos mestres na Fantasticon

Antes do livro chegar da gráfica, tivemos o pré-lançamento, que trouxe resultados muito bons. E não somente em vendas, mas também em divulgação da obra, do autor – este que vos fala – e de alguns trechos para instigar a curiosidade dos leitores.

Foi um investimento em branding. Recomendo vocês pesquisarem sobre esse tema, pois é muito útil em diversas áreas profissionais e do conhecimento.

Depois veio o lançamento oficial, a Bienal do Livro de SP, a Fantasticon… A abrangência da publicidade aumentou e a interação com os leitores também.

Aqui, novamente, foi realizada uma parceria entre a Editora Draco e eu para criarmos estratégias interessantes para trabalhar o livro. Falo um pouco mais sobre o assunto nesse post: “Escritores e o marketing pessoal”.

Pós-lançamento

O processo de divulgação deve ser contínuo. Devemos sempre buscar novos canais e novos parceiros para sermos vistos constantemente e por um público diversificado.

Quanto mais amplitude tivermos, menos saturamos e maiores são as chances de conversões positivas. Por isso o “pensar fora da caixa” é uma boa prática. Nem sempre o nosso público está nos lugares mais óbvios!

É isso aí! Contei um pouco de como eu trabalho o “projeto livro”.

Espero que tenha gostado dessas experiências e abro espaço para os amigos escritores compartilharem os seus processos de criação conosco!

E para finalizar, aproveito para contar que o 2º livro da Série Tempos de Sangue já está em fase de produção e em breve vou apresentar novidades sobre ele.

Até mais!

0 Comentários

  1. Ben Oliveira disse:

    Post muito bem escrito e útil para escritores iniciantes.

  2. Ana Lúcia Merege disse:

    Querem dicas sobre como conduzir sua carreira literária? Este é um excelente começo. Parabéns, Eduardo!

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