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Popismo e meu livro novo

"Dead like me"

 

Olá, pessoas e seres humanos. Já faz algum tempo que eu não dou notícias e tudo mais, então, resolvi aparecer do nada. Estou ouvindo Lemonheads enquanto escrevo essas linhas e fico me perguntando como uma banda tão legal anda tão esquecida hoje em dia. Mas acho que a cultura pop tem esse jeito de ir se engolindo e vomitando coisas novas com o passar dos anos. O pop é uma coisa meio mutante e tal. E quando “pop art” entra no assunto é ainda mais complicado. Afinal, existe essa dicotomia entre ser arte ou ser pop.

Ou não existe mais?

Desde que Andty Warhol pintou aquelas latas Campbell’s em serigrafia, as coisas não são mais as mesmas – ali estava a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. O imaginário do pop cresceu e foi englobando mais coisas, causando um paralelismo impossível de existir antes. Como não dizer que os filmes pós-modernos e pops de Quentin Tarantino não estão na categoria de arte? Ou como afirmar que um autor feito Thomas Pynchon não se encontra nas fronteiras e limiares da cultura pop – isso pra usar outro termo de Walter Benjamim.

Essa dança entre o que é pop e o que é a arte canônica sempre me fascinou. Eu sempre adorei ver quando as duas se encontravam, uma curiosidade que sempre rendeu coisas interessantes. Eu acho que uma das primeiras coisas que realmente capturou a minha mente foi quando eu vi “Bill & Ted” pela primeira vez e dois garotos fãs de rock’n’roll viajavam no tempo e se encontravam com Sócrates, Freud e Abraham Lincoln. Eu adorava ver essas coisas interagindo e tudo mais.

Lady Gaga disse na entrevista da Rolling Stone que estudou a cultura pop, eu também fiz isso da minha maneira. Para cada Kafka, Shakespeare e Hemingway que li, havia uma Vogue, Rolling Stone e pilhas de discos do outro lado. É, acredite, não foi fácil sobreviver ao ensino médio lendo essas coisas no pátio. Vamos dizer que ter a Cosmopolitan na mochila e ouvir bandas suecas não era bem visto pelos colegas. Mas e daí?

Bem, quando eu comecei a escrever “Annabel & Sarah” – época em que eu era mais… Intelectualmente inocente, por assim dizer, eu já buscava encontrar uma voz que fosse minha e que pudesse colocar a cultura pop em confluência com outros tipos de arte. Disso nasceu a fusão entre literatura noir, beatniks, referências a Paraíso Perdido e outros clássicos que vocês puderam observar nesse primeiro trabalho. Mas ainda assim eu sentia falta de certas coisas e entre alguns erros e acertos, gosto de olhar para aquele livro como o trabalho de alguém procurando sua voz – o que estou fazendo até hoje.

E aí entra o livro novo.

As pessoas me perguntavam se eu escreveria uma continuação para “Annabel & Sarah” e eu sempre respondia que não. Tentei rascunhar as primeiras páginas de uma coisa que se chamaria “Sarah & Annabel”, mas vi que era um lixo e joguei na lixeira.

Voltei para a pasta amarela na mesinha, a história que eu não pretendia escrever. Não pretendo escrever nada em série, pelo menos não tão cedo. Preciso crescer muito mais como autor e isso também roubaria a minha oportunidade de criar coisas diferentes. E por quê tudo tem que ser em quatro ou cinco livros hoje em dia?

Tenho trabalhado nele desde que terminei Annabel, na verdade desde antes e tem sido um trabalho muito, muito mais complicado do que Annabel, que foi um livro relativamente fácil de ser escrito – comparado com esse. O livro novo me tomou mais tempo do que o esperado e começou a crescer em direções não esperadas.

Um dos motivos foram minhas obrigações acadêmicas. Num ano em que passei empenhado estudando literatura para a faculdade sobrou pouco tempo para a escrita. Isso é bem pior se você é um aluno ruim. Eu era obrigado a dividir meu tempo entre estudar literatura inglesa para os meus professores e escrever-revisar-reescrever páginas no café da manhã. Foi um período bem punk, mas passou e tudo está bem.

O segundo motivo foi puramente de estilo e disposição do humor.

Áquila coisa que era para ser apenas uma comédia romântica foi abandonada duas vezes e retomada do início – linha 1, página 1.

Agora sei como o Green Day se sentiu quando abandonou “Cigarrets and Valentines”… Mas aí eu me lembro que isso os levou a fazer “American Idiot”. Ou o “My Chemical Romance” que começou a criar músicas simples e diretas para um possível quarto disco, mas abandonou tudo e acabou criando “Danger Days” – um dos melhores álbuns do ano passado. Sei lá, as vezes precisamos voltar para o início.

A intenção era de criar um segundo livro mais ou menos do tamanho de Annabel, mas quando dei por mim, a primeira parte já ocupava mais espaço do que o planejado. E novas linhas narrativas foram aparecendo e choques criativos nascendo. Um trabalho engraçado misturar T.S Eliot, Wallace Stevens e Dylan Thomas com elementos do kitsch, chick-lit e fantasia – e abóboras. E uma coisa estranha foi surgindo e eu estava gostando.

As pessoas legais em breve vão começar a trabalhar na capa e vocês poderão ver o que esse tempo todo no casulo rendeu. As reações dos primeiros leitores foram bem legais até o momento e isso me deixa bem de boa. Espero que todo mundo goste. O nome do livro é: “A Morte é Legal”.

Acho que por hoje é só. Logo – espero – vocês estarão com o livro em mãos e poderão me dizer se valeu a pena. Ou se eu deveria vender cocos na praia. Até mais e sejam excelentes uns com os outros.

 

2 Comentários

  1. Nem preciso dizer o quanto estou ansiosa pra encontrar a Srta Prozy 🙂

  2. Toda vez quem o Jim comenta o título dele me vem à mente a Morte de Sandman.
    Mas já estava mais do que na hora de começarmos a diminuir barreiras, principalmente nessa era do compartilhamento, e parar com essas bobagens de Arte VS Pop.

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